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Guerra ao tabaco.

São inúmeros os malefícios do tabaco.Mas para deixar de fumar é preciso estar motivado e seguir uma série de regras sensatas, mas rígidas, que impeçam as recaídas...

Que o tabaco é um hábito social nocivo e que o seu abandono permitiria melhorar substancialmente a saúde de toda a população, com ganhos individuais e colectivos, todos o sabem. Sem qualquer dúvida, o consumo de tabaco, mais do que um hábito ou um prazer, converte-se, para a imensa maioria de fumadores, num vício, uma dependência da qual é difícil a pessoa libertar-se.

De todas as doenças associadas ao consumo do tabaco, o cancro do pulmão é a mais conhecida, a par das doenças de carácter coronário. O pulmão é, sem dúvida, o órgão mais agredido pelo perigoso hábito de fumar e um dos mais difíceis de recuperar. O Prof. José Alves, médico pneumologista, afirma que, em regra, «para que o risco de mortalidade por cancro do pulmão dos ex-fumadores se equipare ao da população não fumadora é preciso um ano de abstinência por cada ano que o indivíduo tenha fumado. De qualquer modo, há especialistas que dizem que após um indivíduo ter deixado de fumar entre 10 e 15 anos a situação está normalizada».

Acção da nicotina.

Dos vários componentes do tabaco, a nicotina é a substância responsável pela sua natureza aditiva, ou seja, é ela que causa dependência ao fumador. É evidente que esta dependência está relacionada com as características farmacológicas da nicotina, que é altamente viciante, mas o consumo de tabaco está igualmente condicionado por questões sociais.

«A nicotina causa tanta dependência como as drogas duras, isto é, a heroína e a cocaína, em que o corpo se torna física e psicologicamente dependente. O efeito nicotínico desenvolve-se directamente sobre o sistema nervoso central, o que explica que em determinadas circunstâncias o tabaco funcione como estimulante e noutras como um depressor», explica o pneumologista, acrescentando:

«A nicotina interfere com as arteríolas, que são pequenas artérias que estão distribuídas por todos os órgãos, portanto, afecta todos eles. Claro que os pulmões são dos mais atingidos, mas, devido à carga hemodinâmica adicional, também o coração sofre muito com isso. Quando se fuma, há um aumento da frequência cardíaca, o coração bate mais rapidamente e encontra uma resistência maior, o que significa que tem mais trabalho. Paralelamente, existem alterações também a nível dos vasos, o que faz duplicar os riscos de enfarte do miocárdio. Alterando as arteríolas, a nicotina altera igualmente o cérebro, o que, por sua vez, faz com que todo o metabolismo fique alterado.»

Perigos do monóxido de carbono

Outro problema inerente ao consumo de tabaco é o facto do seu consumo fazer com que haja monóxido de carbono nos vasos sanguíneos.

«O monóxido de carbono é um gás que tem uma afinidade muito grande com a hemoglobina, ou seja, quando o monóxido de carbono se liga à hemoglobina torna-a ineficaz. A hemoglobina é extremamente importante no organismo humano, porque é a proteína que transporta o oxigénio para as células e, em seguida, transporta o dióxido de carbono dessas células para os pulmões, para ser expelido», esclarece José Alves.

«O problema que existe no fumador é que quando a hemoglobina está ligada ao monóxido de carbono circula por todo o corpo, sobrecarregando o coração, sem ter qualquer desempenho. Esta situação assume particular importância se pensarmos que, numa pessoa que fuma um maço por dia, 20% da hemoglobina está ligada ao monóxido de carbono. No caso das grávidas, este factor ainda é mais importante, já que é fundamental que a capacidade de transporte de oxigénio da gestante para o feto tenha qualidade», afirma.

Outros malefícios.

Diz-se que o tabaco tem na sua constituição mais de 4000 substâncias, das quais 43 são já carcinogénios comprovados, o que significa qu nenhum organismo poderia ficar imune aos seus malefícios.

Falar em tabaco sem referir as mortes por si causadas seria simplificar as coisas. Anualmente morrem no mundo mais de quatro milhões de pessoas por doenças associadas ao consumo de tabaco. José Alves afirma com segurança que «um em cada dois fumadores vai morrer por problemas provocados pelo tabaco e que 1/3 destes vão morrer precocemente».

Os problemas cancerígenos parecem bater todos os recordes no que se refere a doenças associadas ao tabaco, já que estão englobados os cancros do pulmão, da laringe, da boca, do esófago, do pâncreas, da bexiga, do rim e do estomâgo, além dos casos de outras doenças pulmonares (como a bronquite crónica e o enfisema), de ACV, de doenças arteriais, de impotência, de aumento de rugas, de enfartes do miocárdio, de infertilidade, de osteoporose, enfim, de um sem número de problemas que são... evitáveis.

Síndrome de abstinência

Quando se começa a fumar, a imitação, a curiosidade, o grupo de amigos são os responsáveis. A partir daí, a associação que se faz entre o tabaco e diversas sensações, como a descontracção e o prazer, faz com que fumar se converta num ritual automatizado, difícil de abandonar.

É comum os fumadores terem receio de cortar definitivamente com esse vício, pois temem os sintomas da sua privação. São queixas físicas e psicológicas que constituem a já chamada síndrome de abstinência. «A síndrome de abstinência, provocada pela privação do tabaco, corresponde quase sempre a problemas como depressão, insónias, ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e instabilidade emocional. A intensidade e a duração desta sintomatologia varia em função da carga de nicotina diária a que o organismo estava habituado», garante o médico.

Fumadores passivos.

Está completamente provado que o não fumador que é permanentemente exposto ao fumo do tabaco está em risco de adoecer por causa das substâncias que inala. É um facto que «o fumador passivo inala muito menos fumo do que o fumador, mas alguns conceitos actuais indicam que o fumo passivo é mais carcinogénio. De qualquer modo, o que está já cientificamente provado é que o fumador passivo vê aumentados os riscos de problemas respiratórios e alérgicos, como a asma brônquica, a sinusite, a rinite, etc.», refere.

Todos os anos, nos EUA, mais de 10% das pessoas que morrem por doenças atribuídas ao tabaco são não fumadores. Mais grave do que isso é fumar perto de crianças, porque mina à partida um crescimento saudável.

Terapêutica de substituição.

Motivos para deixar de fumar parecem mais que muitos... Mas, como fazê-lo? Todos sabemos que é difícil libertar-nos de um vício com o qual convivemos muito tempo, mas quando existe força de vontade e determinação não é necessário um acto heróico para fazê-lo. Além disso, métodos não faltam. 

Sabendo que a maioria das pessoas que tenta deixar de fumar torna a cair no vício por não conseguir resistir aos sintomas de privação da nicotina, surgiram substitutos desta substância que permitem que o fumador se liberte gradualmente da dependência.

«Estes substitutos existem em forma de pastilhas ou de discos transdérmicos e actuam melhorando significativamente a síndrome de abstinência. Com um índice de eficácia positivo, estes substitutos funcionam melhor quando se associam a outras drogas que apareceram recentemente no nosso mercado e que triplicam os sucessos terapêuticos. De qualquer modo, é evidente que estes substitutos têm contra-indicações. Quase sempre essas contra-indicações são as mesmas que têm o próprio consumo do tabaco, só que estas substâncias são administradas durante um período curto, apenas até as pessoas se desabituarem do cigarro. As consultas de desabituação anti-tabágica também resultam positivamente nestes casos», conclui o pneumologista José Alves.

in  MEDICINA & SAÚDE®  Nº  44 Junho 2001


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