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Hospital Nossa Senhora do Rosário

Um hospital em remodelação

Apesar de o edifício ter apenas 15 anos, o Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, tem padecido de algumas «doenças» que costumam atingir instituições com mais algumas décadas de existência. Esta degradação obrigou a um conjunto de obras, que estão a decorrer, para que o hospital ganhe uma nova imagem e preste melhores serviços.

No início do ano o Hospital Nossa Senhora do Rosário (HNSR), no Barreiro, viveu um episódio pouco agradável, principalmente para as parturientes que estavam no bloco de partos. Um tubo de esgoto entupiu, inundando o serviço com água suja que vinha das tubagens que atravessam o chão do bloco.

Esta situação não causou, no entanto, grande surpresa, uma vez que as instalações são consideradas o principal calcanhar de Aquiles desta instituição, que está desde 1997 a sofrer uma remodelação radical das infra-estruturas.

Apesar de o edifício ter apenas 15 anos, a sua deterioração já criou algumas situações difíceis.

«Em termos de concepção e dimensão, o hospital está bem concebido para a população que serve. O que acontece é que ele sofreu uma degradação, de uma ponta à outra, de uma forma muito rápida», diz o director, Dr. Artur Teles de Araújo.

«Há um tempo atrás, toda a canalização estava rota, a rede eléctrica não se encontrava em condições, a incineradora não funcionava bem e a cozinha corria o risco de fechar», exemplifica aquele responsável.

Estes problemas obrigaram à realização de um Plano de Recuperação de Infra-Estruturas, entre 1997 e 2000, cujas obras programadas ascendem a 775,6 mil contos. Já concluídas estão a reparação da incineradora, a remodelação da cozinha, a renovação da central térmica, a central de gases medicinais, a central de vapor, a rede externa de águas, entre outras.

Algumas das obras ainda estão em andamento, como a construção de um bloco para as Consultas Externas, a remodelação e ampliação do Bloco de Partos, que são projectos classificados como «grandes obras» do Plano de Melhoria Funcional dos Serviços do HNSR.

As grande obras

«O que aconteceu no bloco de partos poderia suceder num esgoto de qualquer casa, mas na concepção deste edifício talvez estes tubos não devessem passar ali», reconhece Artur Teles de Araújo. Mas este não é o único problema das instalações onde têm nascido muitos dos barreirenses nos últimos 15 anos.

Os sinais da deterioração percebem-se, por exemplo, no remendo com plásticos e fita adesiva visível no tecto do corredor do serviço.

O espaço também não está adaptado para o acompanhamento das grávidas. Com as alterações previstas, «a utente passará a ter possibilidade de ter acompanhamento do companheiro, a funcionalidade do bloco será melhorada e  haverá mais espaço», adianta Artur Teles Araújo.

As obras de renovação do bloco de partos já estão a decorrer e pensa-se que estejam prontas dentro de cinco meses.

«Estas obras já estavam previstas antes do tubo do esgoto ter entupido», acrescenta o director Hospital.

Existem outros itens, igualmente importantes, na lista das «grandes obras» programadas pelo Conselho de Administração. Um dos projectos em curso é o da remodelação das instalações das consultas externas, que depois de concluída permitirá aumentar o número de gabinetes médicos de 19 para 33 e tornará possível a realização de mais 20 mil consultas por ano. Com esta medida será possível reduzir a lista de espera para a marcação de consultas no HNSR.

Redução das listas de espera

Tal como nos outros hospitais, também no Barreiro os casos que se acumulam à espera de cirurgia são situações como as varizes, as hérnias ou as operações à vesícula. Apesar do Programa Acesso não ter funcionado em pleno, «pois foi necessário substituir as unidades de tratamento do ar do Bloco Operatório, que levou ao encerramento de duas salas do bloco durante um largo período de tempo», foi possível reduzir o número de pessoas que aguardam operação.

«Só em dois meses, e sem afectar o programa normal, reduzimos cerca de 200 dos casos que se encontravam em lista de espera», contabiliza o Dr. Eurico Garrido, director clínico do HNSR.

E avança com um exemplo: «A espera para uma operação de Otorrinolaringologia chegou a ter três anos, agora já vai em 14 meses, não é bom, mas é melhor.»

Segundo Eurico Garrido, salvo raras excepções, não é por falta de cirurgiões que existem listas de espera para cirurgia.

Apesar da carência de especialistas em Anestesiologia ser um problema nacional, o director clínico considera que no HNSR encontraram o equilíbrio: «Temos 13 anestesiologistas, precisaríamos de 16», ao mesmo tempo que salienta que «não é pela falta de especialistas que o hospital tem problemas». Até porque o quadro de pessoal foi actualizado em 1998.

«Não digo que tenhamos os especialistas absolutamente suficientes, mas o défice não é muito grande. Temos necessidade de alguns médicos em especialidades como Urologia e Cardiologia», exemplifica o Dr. Artur Teles de Araújo. Os enfermeiros também vão sendo suficientes, um facto que se vê pela ausência de profissionais espanhóis neste hospital.

Uma medida que contribuirá para redução das listas de espera para operações e que é considerada pelo Conselho de Administração como uma «meta para 2002» consiste na criação da Cirurgia do Ambulatório. Os doentes submetidos a pequenas cirurgias passarão a ter alta em menos de 24 horas, sem precisar de internamento.

Até porque, em termos hospitalares, todo o internamento que ultrapasse em 80% a capacidade de lotação é considerado excessivo e «em Medicina Interna e Cirurgia as nossas taxas ultrapassam os 75%», refere Eurico Garrido.

Com a conclusão das obras, grande parte dos problemas com que se debate este hospital deverão ficar, finalmente, resolvidos.

Apoio a instituições particulares de solidariedade social

Apesar das autarquias não terem, ainda, grandes competências legais no que diz respeito à saúde dos seus munícipes, a Câmara Municipal do Barreiro tem tomado algumas medidas com vista à melhoria da qualidade de vida nesta cidade.

«Nós estamos mais próximos e sensíveis aos factos que acontecem junto da população», defende o vereador dos Assuntos Sociais, José Aguadoce Engrossa, ao mesmo tempo que lamenta que os municípios não tenham mais responsabilidades na área da saúde.

Neste momento, uma das formas que encontraram para contornar esta limitação foi «a atribuição de subsídios a instituições particulares de solidariedade social».

É desta forma que o Município do Barreiro apoia instituições que se dedicam aos cuidados continuados, ou seja, acompanham os doentes depois de terem alta hospitalar, nos seus domicílios.

«Vamos apoiar, através do pagamento da renda das instalações, a associação Centro Jovem Tejo, que trabalha com toxicodependentes. Este projecto contemplará a criação de 10 consultas diárias, o fornecimento de uma refeição quente por dia, o encaminhamento para o Centro de Apoio a Toxicodependentes (que deverá entrar em funcionamento brevemente) e serão ainda criados dois quartos para receber pessoas sem-abrigo, para além da realização de consultas de Psicologia e de prevenção de doenças como a SIDA ou a hepatite B», exemplifica aquele responsável.

Mas estas medidas não resolvem muitos dos problemas de saúde que existem no concelho.

O desejado hospital de retaguarda

A falta de um hospital de retaguarda é uma das necessidades reivindicadas, tanto pela população como pela administração do Hospital do Barreiro. Já foi realizado um estudo sobre este projecto, que foi entregue à CMB, com vista à atribuição de um terreno onde deverá ser construído o hospital. Esta instituição tem como finalidade a prestação de cuidados a pacientes cujo acompanhamento não justifique o internamento num hospital para doentes agudos.

Segundo o vereador dos Assuntos Sociais, o projecto em causa já foi remetido à apreciação do presidente da Câmara.

Quanto aos cuidados primários, no concelho do Barreiro, sofreram algumas restruturações com o objectivo de preparar a adopção dos centros de saúde da terceira geração, um modelo que dará mais autonomia a estes centros.

Mas todo este processo implicou alguma modificação no funcionamento dos serviços de saúde que servem os barreirenses. O que leva o vereador a afirmar que são comuns as queixas da população, «por dificuldades de marcação na consultam e por serem enviados de volta do hospital para o Centro de Saúde». É este o preço a pagar pelas alterações na área da saúde que estão actualmente a decorrer no Barreiro.

Breve apresentação do hospital

Início do funcionamento:  Setembro de 1985
População servida: 

220.000 habitantes

320.000 habitantes (2008)

Concelhos abrangidos: Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo
Especialidades:  todas excepto Neurocirurgia, Cirurgia Cardíaca e Nefrologia
Lotação oficial: 502 camas – 14 mil doentes saídos
Lotação praticada:   432 camas
19 Gabinetes de consulta: 80.000 consultas
Bloco Operatório-4 salas:  5.000 intervenções
Hospitais de Dia (1):  4.000 sessões
Urgência: 86.000 atendimentos
Nº. de trabalhadores: 1.350 (+ 150 concessionários)
Nota: dados referentes ao ano 2000

A resposta certa, No sítio certo, na hora certa

As cerca de quatro centenas de médicos de família que existem no distrito de Setúbal não são suficientes para a população que servem. Segundo o Dr. Rui Monteiro, «das três Sub-Regiões de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a de Setúbal é a que está mais carenciada de médicos de clínica geral. Temos mais de cem mil utentes sem médicos de família».

Os centros de saúde mais carenciados são aqueles onde o crescimento demográfico é maior e mais rápido, ou seja, nos concelhos da zona Norte e Centro do distrito.

«As carências são menores na zona Sul do distrito, mas aí são mais difíceis de resolver por falta de candidatos aos concursos que são abertos», constata o coordenador da Sub-Região de Saúde de Setúbal.

A tentativa de solucionar a falta de médicos tem passado, também, pela contratação de clínicos espanhóis. «Só no Centro de Saúde de Sines estão três médicos de família que vieram de Espanha», diz Rui Monteiro.

Quanto aos enfermeiros, «a carência ainda é maior, temos cerca de 270 em falta, já fizemos uma tentativa de contratação de espanhóis, mas estes profissionais preferem ir para os hospitais», conta o coordenador.

Muitos dos enfermeiros acabam por acumular trabalho em várias instituições diferentes, o que acaba por provocar algum desgaste.

Quanto as instalações, a Sub-Região de Saúde de Setúbal tem investido na construção de novos centros de saúde, para acabar com condições inadequadas, como o funcionamento de centros de saúde em prédios de habitação.

Entretanto, no Barreiro e em Almada estão já a dar-se os primeiros passos para a criação de centros de saúde da «3ª geração», que terão autonomia financeira e administrativa e implicarão a formação de equipas multiprofissionais constituídas por médicos, enfermeiros, administrativos, entre outros, que acompanharão um grupo de utentes.

«Uma das medidas já a funcionar nestes dois concelhos é o chamado atendimento complementar: os centros de saúde funcionam todos até às 22 horas e, quando o médico de família não tem condições para atender o doente que está na sua lista, é dada uma resposta complementar por um outro médico», refere o nosso interlocutor.

Este é um esforço para concretizar o lema que norteia os projectos desta Sub-Região de Saúde. «Dar a resposta certa, no local certo, na hora certa», salienta Rui Monteiro.

O que dizem os utentes?

Maria Sousa, 62 anos, doméstica

M&S® – Como tem sido atendida neste hospital?

MS – Estive cá internada durante dois meses e fui muito bem tratada.

M&S® – Se pudesse, o que é que alterava?

MS – Mudava a alimentação às pessoas que estão internadas.

M&S® – E mais?

MS – Acho que também se espera muito pelas consultas, às vezes estou cá à espera perto de duas horas.

João Peralta, 62 anos, reformado

M&S® – O que acha do serviço prestado neste hospital?

JP – Não tenho nada de mal a dizer, tenho sido bem atendido por médicos e enfermeiros.

M&S® – Acha que é necessária alguma mudança?

JP – Não vejo que sejam precisas grandes mudanças, Talvez no exterior, os parques de estacionamento e os jardins estão muito abandonados.

M&S® – Quanto ao Serviço de Urgência, qual é a sua opinião?

JP – A urgência é como nos outros hospitais, tem que se esperar.

Hélder Fernandes,

28 anos, responsável comercial

M&S ®– O que acha do funcionamento deste hospital?

HF – Acho bom, o tempo que cá estive fui bem tratado.

M&S® - Quais são as mudanças que acha necessárias?

HF – Mudava a assistência aos doentes no internamento, porque às vezes demoram muito tempo a ser atendidos.

M&S® – E na Urgência, como foi o atendimento?

HF – Fui bem atendido, não esperei muito porque vim directamente de outro hospital.

 

in  MEDICINA & SAÚDE®  Nº  43 Maio 2001

texto Sandra Guerreiro fotos João Henriques


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