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Artigo de Saúde Pública®

Nº 69 / Abril de 2008






04 DOSSIÊ REUMATOLOGIA
1 em cada 3 portugueses com problemas reumáticos

- Dr. Augusto Faustino
- Dr. Luís Maurício Santos
- Dr. Rui André Santos
- Dr. João Sequeira Carlos
As doenças reumáticas são pouco valorizadas em Portugal. Cerca de 30-40% da população em determinada altura da vida, sofre uma doença reumática. Neste momento a osteoartrose é responsável por uma percentagem muito significativa de doentes.


As doenças crónicas mais prevalentes no ser humano são as do foro reumatológico. Tendo por base este cenário, o Dr. Augusto Faustino, presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR), explica que «é fundamental compreender que não existe reumático nem reumatismo».

A população em geral e os profissionais de saúde «devem ter noção de que existem doen­ças reumáticas. Neste grupo estão contempladas centenas de patologias, todas elas com significado, importância, gravidade e tratamento diferentes».

Relativamente à importância do diagnóstico precoce, Augusto Faustino refere que «as consequências nefastas das doenças reu­má­ticas apenas ocorrem se a evolução natural destas doenças não for contrariada por uma precoce e adequada intervenção terapêutica».

Para além de «tentar de imediato aliviar a dor do doente de forma global, eficaz e persistente, o reumatologista deverá olhar para a causa da dor. Para isso, terá de efectuar um diagnóstico precoce, específico e concreto sobre a situação».

Muitas vezes, as doenças reumáticas «são mal-abordadas e acabam por evoluir para situa­ções de incapacidade temporária (baixas) e incapacidade definitiva (reformas antecipadas)», refere o presidente da SPR, acrescentando:

«Todas estas limitações levam à existência de enormes custos directos e indirectos. Sendo assim, não restam dúvidas de que representam um enorme peso económico para a sociedade.»


A dor como sinal de alerta

A dor é um factor omnipresente nas doenças reumáticas.
Segundo o Dr. Luís Maurício Santos, secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR) e reumatologista do Hospital do Divino Espírito Santo, de Ponta Delgada, Açores, «mais de 90% dos doentes que se dirigem a uma consulta de Reumatologia fazem-no porque têm dor».

«Torna-se fundamental a sua caracterização, no que diz respeito à localização, à forma de início, ao horário de aparecimento, à intensidade, ao padrão, à distribuição e duração. Por fim, também é necessário analisar se está associada a outras manifestações, nomeadamente, ao edema e à rigidez arti­cular», frisa.

De forma concreta, um especialista deve conhecer as principais características do doen­te. Só desta forma poderá ter uma «orientação precisa em relação ao diagnóstico. Quando a dor se agrava com carga arti­cular e/ou com esforço e, de seguida, melhora com repouso devemos estar orientados, por exemplo, para uma causa mecânica que, por conseguinte, pode ocorrer numa situação de osteoartrose do joelho».

Esclarece ainda que «uma dor que se agudiza durante a noite, associada a edema e a rigidez articular, orienta-nos para uma causa inflamatória, como é o caso da artrite reumatóide (AR)».

A dor nas doenças reumáticas surge da mesma forma que a dor associada a qualquer outra patologia. Por norma, «ocorre por estimulação dos nociceptores cutâneos e das estruturas músculo-esqueléticas, constituídos por fibras mielínicas. Os respectivos estímulos podem ser mecânicos e químicos», explica Luís Maurício Santos, acrescentando:

«A dor é modulada por diversos neurotransmissores, concretamente, a serotonina, a substância P e a noradrenalina, para além de outros, que conferem por mecanismos mais ou menos complexos uma grande variabilidade de respostas aos estímulos nociceptivos.»

Relativamente à avaliação da dor, lembra que «existem diferentes instrumentos para a sua avaliação em consulta, nomeadamente, no que diz respeito à sua intensidade, sendo o mais simples uma escala visual analógica, em que o doente assinala numa linha horizontal de 10 cm, com um traço vertical onde se “situa” a sua dor, representando o “zero” a ausência de dor e o 10 a dor insuportável».

Para além deste método, «é importante olhar para a avaliação de outros factores associados à dor que, normalmente, afectam a percepção subjectiva da mesma. O ambiente familiar e profissional e a inadaptação a novos “meios” sociais são factores a ter em conta na percepção/perpetuação da dor».

Actualmente, a dor afecta a qualidade de vida dos doentes, interferindo com a capacidade funcional, tanto em termos profissionais como pessoais.

«O Health Assessment Questionaire (HAQ), na sua versão reduzida, é uma ferramenta essencial na avaliação da capacidade funcional e na monitorização da mesma nos períodos entre consultas, permitindo também de forma indirecta a avaliação da eficácia das terapêuticas instituídas», revela.

O tratamento da dor não deve ser visto de forma isolada porque «a dor insere-se no contexto de uma determinada patologia. O principal alvo deve ser o tratamento da patologia associada à dor, procurando-se efectuar um diagnóstico precoce da patologia subjacente e interferindo, modificando, a sua evolução através das medidas terapêuticas adequadas (farmacológicas e não farmacológicas)».


Artrite reumatóide afecta 1% da população mundial

O Prof. Doutor João Eurico Fonseca, assistente hospitalar de Reumatologia do Hospital de Santa Maria (HSM) e professor auxiliar de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), aproveita a celebração do Dia Nacional do Doente com Artrite Reumatóide (5 de Abril) para referir que «a prevalência da doença a nível mundial é de 1%».

Trata-se de uma patologia que causa dor, inchaço e deformação progressiva das articulações.
Apresenta um envolvimento preferencial das articulações das mãos e dos pés. «Se não diagnosticada atempadamente e tratada de forma correcta, pode ser extremamente incapacitante e causar diminuição da esperança de vida.»

Em relação à intervenção do especialista, defende que «o reumatologista tem a obrigação de assegurar o controlo das manifestações clínicas e laboratoriais o mais rápido possível».

Actualmente, existem fármacos que permitem obter alguns benefícios em termos de redução da inflamação na artrite reumatóide.

Relativamente ao papel do ómega-3 na artrite reumatóide, afirma que «o ómega-3 pode diminuir ligeiramente a inflamação, mas até agora não demonstrou qualquer tipo de eficácia na artrite reumatóide».


Osteoartrose pode afectar qualquer articulação

A osteoartrose é uma doença degenerativa das articulações que afecta principalmente a cartilagem articular e o osso subjacente.

Segundo o Dr. Rui André Santos, presidente eleito da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR), «a cartilagem desgasta-se e o osso desenvolve-se, acabando por se transformar numa estrutura que deixa de cumprir a sua principal função, ou seja, permitir e facilitar o movimento com o mínimo atrito».

«Qualquer articulação pode ser afectada por este problema. No entanto, as mais atingidas são os joelhos, as mãos, as ancas, os pés e a coluna vertebral, em particular as regiões cervical e lombar.»

Quais são as principais causas da osteoartrose? Rui André Santos responde que «a doença pode aparecer devido a duas situações específicas: ou porque uma determinada articulação é submetida a um esforço anormal ou porque a articulação usada apresenta uma forma ou materiais deficientes, como é o caso de uma escoliose e/ou desvios axiais dos membros».

Os sintomas da osteoartrose são a dor, a rigidez e a diminuição da mobilidade articular. «Estes sintomas provocam dificuldade na utilização da articulação, com disfunção e incapacidade.»

Actualmente, existem três grandes áreas para o tratamento da osteoartrose. «O tratamento não farmacológico assenta na fisioterapia (calor, frio e água) e na cinesioterapia (exercícios e movimentos). Por sua vez, o tratamento cirúrgico registou enormes avanços com a substituição das articulações doentes por próteses. Dentro do tratamento médico, deve-se separar os fármacos com acção sobre os sintomas daqueles que actuam na estrutura da articulação doente atrasando a progressão.»

Em relação a novidades terapêuticas, o especialista salienta que, «neste momento, existem novos dados referentes a analgésicos e a combinações de analgésicos, em anti-inflamatórios mais seguros do ponto de vista digestivo, nas infiltrações intra-articulares de derivados do ácido hialurónico e em novos modificadores da estrutura da doença. Na minha opinião, compreendem-se cada vez melhor as razões dos resultados positivos de modalidades terapêuticas antigas», informa, acrescentando:

«Ainda não existem provas claras da eficácia da glucosamina, em geral, na doença. As novas informações estão relacionadas com o sulfato de glucosamina que, na sua fórmula original, tem vindo a demonstrar de uma forma consistente resultados positivos sobre os sintomas e até um atraso na progressão da doença, com uma tolerabilidade excelente. Não existem, por enquanto, trabalhos científicos que confirmem o seu papel na prevenção, mas sabe-se que será tão mais eficaz conforme a precocidade do início do tratamento.»

Rui André Santos aproveita a oportunidade para frisar que «existem várias profissões de risco que podem levar ao aparecimento de osteoartrose ou artrose. Falo, por exemplo, dos agricultores e dos mecânicos que trabalham com máquinas pesadas».

O desporto recreativo, em geral, não danifica as articulações saudáveis, mas antes da prática de exercício «é essencial realizar uma avaliação médica prévia para detectar possíveis anomalias articulares. De seguida, deve-se partir para uma prescrição adequada de exercício e repouso de forma equilibrada. Contudo, não é completamente descabido o uso de certos suplementos nos grupos mais exigentes, desde que esteja salvaguardada a segurança do tratamento».


Médicos de família e reumatologistas unidos pelos doentes

Através de breves palavras, o Dr. João Sequeira Carlos, médico de família da Unidade de Medicina Geral e Familiar do Hospital da Luz, fala sobre o papel da Clínica Geral e da sua articulação com a Reumatologia.

Começa por explicar que «a dor do aparelho músculo-esquelético é um dos principais motivos de consulta em Medicina Geral e Familiar (MGF). Os médicos de família lidam directamente com situações de dor osteoarticular. As lombalgias são as mais frequentes, mas os doentes também se queixam de dores nos joe­lhos, nas mãos, nos pés, nos ombros e na coluna cervical».

«Segundo um relatório do Eurobarómetro, publicado em Dezembro de 2003, as doenças reumáticas afectam 38,2% dos portugueses, valor que coloca Portugal no topo da lista europeia», informa o especialista, acrescentando:

«O papel do médico de família é preponderante, neste contexto. Por ter uma relação de proximidade com os pacientes que são seguidos ao longo da vida, pode efectuar uma avaliação integral do problema de saúde de um indivíduo. No caso da dor osteoarticular, é essencial uma análise dos factores de risco para doenças reumáticas, um relato detalhado sobre os sintomas apresentados e uma abordagem biopsicossocial do fenómeno “dor”.»

O médico de família deve actuar na prevenção das doenças reumáticas «promovendo a saúde do aparelho músculo-esquelético, tentando motivar o paciente para a alimentação saudável e para a prática de exercício físico»


Texto: Paula Pereira

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