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Artigo de Saúde Pública®

Nº 68 / Março de 2008






16 O nível de poluentes em interiores chega a ser 100 vezes superior ao do ar exterior
- Dr. Carlos Nunes
- Dr. Mário Morais de Almeida
As linhas orientadoras do HabitAr, primeiro estudo de caracterização da qualidade do ar interior em Portugal, foram apresentadas recentemente no Oceanário de Lisboa. Trata-se de um trabalho da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) e do Instituto UCB de Alergia (IoA). O objectivo da iniciativa é avaliar a qualidade do ar que é respirado no interior das casas.


«A maioria da população gasta cerca de 90% do seu tempo em áreas fechadas, como é o caso de locais de trabalho, áreas comerciais e interiores de habitações.» As palavras foram proferidas pelo Dr. Carlos Nunes, alergologista e representante do Instituto UCB de Alergia, durante a apresentação das linhas de trabalho do Estudo HabitAr, que vai realizar-se em Portugal, durante os próximos seis meses.

O estudo consiste «na medição do nível de vários poluentes no ar interior das habitações, segundo uma amostragem de 200 pontos de observação distribuídos por cinco regiões do País, nomeadamente, Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. Em cada ponto de observação serão avaliadas três habitações, nas quais vão efectuar-se análises nos quartos e cozinha. No total serão avaliadas 600 habitações».

Carlos Nunes aproveita para sublinhar que existem vários objectivos que se pretende atingir com a realização do Estudo HabitAr. Ou seja, «analisar e caracterizar o ar do interior de habitações em Portugal e quantificar os níveis de CO2, CO, NO2, formaldeído, ozono, VOC, SO2 e PM10».
Pretende ainda «estudar a associação da poluição interior com as doenças respiratórias em geral e com as alergias em particular. Por fim, visa analisar as variações regionais da asma e da rinite nos utilizadores das habitações».

Neste momento, estima-se que «apenas 10% do nosso tempo seja passado no exterior dos edifícios. O nível de poluentes num ambiente fechado chega a ser 100 vezes superior ao do ar exterior. O défice na qualidade do ambiente de interior pode afectar a saúde e o bem-estar da população, particularmente, com patologias respiratórias», esclarece o alergologista.

Relativamente aos grandes problemas existentes no interior das habitações, Carlos Nunes esclarece que, «hoje em dia, a ventilação das casas é inadequada (52%), cerca de 20% possuem contaminantes químicos interiores e apenas 10% exteriores. 5% das casas também contêm contaminantes biológicos e, por fim, existem agentes desconhecidos em 13% das habitações».


Poluição interior na origem de doenças

De acordo com o Dr. Mário Morais de Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), «segundo um trabalho epidemiológico que foi realizado no último ano, com uma amostra representativa de mais de cinco mil crianças, foi possível verificar que cerca de 25% tinham sintomas de asma no último ano, sendo que, entre estas, 61,4% das crianças sofreram entre uma a três crises durante o último ano. 31,1% tiveram entre quatro a 12 e, por fim, 7,5% das crianças foram alvo destas ocorrências mais de 12 vezes, durante o mesmo período de tempo». E acrescenta:

«Trata-se de uma situação muito preocupante porque verificámos que houve um evidente descontrolo da situação. Portanto, representa um problema grave a nível nacional.»

A asma tem uma componente genética e ambiental. «A última está a ganhar cada vez mais terreno, com os poluentes, os alergénios e as infecções a agravar a situação. E, hoje em dia, as crianças não estão tão expostas ao meio exterior como antigamente, pelo que a qualidade do ar interior é cada vez mais importante.»

Em relação à poluição indoor/outdoor, o presidente da SPAIC afirmou que «está provado que estar exposto à poluição provoca determinadas doenças. Na grande maioria dos casos, está relacionada com as doenças alérgicas, quer para o aumento da sua frequência e/ou pela gravidade, como também pelo maior número de infecções, de outras doenças pulmonares e cardiovasculares e também de neoplasias». Por exemplo, «o risco que está inerente ao consumo de tabaco é grande, tanto para os fumadores como para as pessoas que estão expostas».

Mário Morais de Almeida referiu ainda que, «ao contrário do que se pensa, actualmente, a qualidade do ar que se respira em casa também não é a melhor».
Isto porque, nas últimas décadas, «temos assistido a uma crescente prevalência das doenças respiratórias, principalmente na população urbana. O problema está associado a diversos factores de risco que estão inseridos no interior das habitações, como é o caso de animais domésticos, ácaros, fungos, alterações na humidade do ar e partículas em suspensão».

Por sua vez, também importa destacar que «o fumo do tabaco, tanto para os fumadores activos como passivos, provoca cancro de pulmão, aumenta a mortalidade e morbilidade da doença cardíaca, contribui para as infecções respiratórias e leva a que venha a existir e/ou a agravar doenças como a asma ou a rinite, bem como sintomas respiratórios inespecíficos, como é o caso da tosse».

Como conclusão, Mário Morais de Almeida lembrou que, «na criança, a exposição a poluentes do interior dos edifícios e a asma estão intimamente relacionadas, devido ao facto das crianças respirarem mais ar e de não possuírem capacidade, por exemplo, para escapar à exposição ao fumo do tabaco, não sendo ouvidas pela família ou não tendo mesmo possibilidade de se expressar, como acontece nos primeiros anos de vida. Além disso, o seu sistema imunitário não tem a sua função de protecção ainda completamente activada».


Iniciativas desenvolvidas pelo Instituto UCB de Alergia

Durante 20 anos de existência, o Instituto UCB de Alergia (IoA) já organizou e participou em várias iniciativas científicas.

De acordo com o Dr. Carlos Nunes, representante deste Instituto, «ao longo de duas décadas, o IoA elaborou reuniões científicas bianuais e fez a divulgação de diversas actividades, através da presença de médicos e outros especialistas. Também organizou reuniões em vários países da Europa e promoveu inúmeros debates entre médicos e doentes portadores de alergia, através de videoconferências internacionais».

O Instituto UCB de Alergia surgiu há 20 anos, ou seja, em 1987. Na altura, foi necessária a sua criação «porque existia uma crescente prevalência de doenças alérgicas no mundo ocidental e, em particular, na Europa», referiu, acrescentando:

«Trata-se de uma fundação sem fins comerciais ou lucrativos, que tem como objectivo primário desenvolver estratégias, com base científica, para minorar o desconforto e o sofrimento de muitos milhões de vítimas de doenças alérgicas em todo o mundo.»

O ano 2000 ficou marcado pela elaboração do Livro Branco Europeu de Alergia, que «acabou por ser apresentado, posteriormente, no Parlamento Europeu. Actualmente, serve de base científica para programas específicos. Por fim, o Instituto UCB de Alergia, com sede na Bélgica, também tem sido parceiro de investigação da European Academy of Allergology and Clinical Immunology (EAACI) e da Associação de Doentes Portadores de Alergia na Europa (EFA)».

Para além de todos estes objectivos, Carlos Nunes frisa que o instituto também «proporciona treino e formação pós-graduada a profissionais de saúde. Por vezes, propicia igualmente aos doentes material educativo para poderem prevenir as alergias e reduzir a sintomatologia de muitas das doenças alérgicas, como é o caso da rinite, asma, urticária e alergia alimentar».


Texto: PAULA PEREIRA/MEDICINA & SAÚDE
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