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Artigo de Saúde Pública®

Nº 61 / Julho de 2007






05 Reduzir a dor articular
Entrevista com o Dr. Francisco Santos Silva
As doenças reumáticas são um dos grandes males da população em geral, particularmente quando nos referimos a pessoas de idade mais avançada. A artrose é a forma mais comum de reumatismo e conduz a situações de incapacidade no doente idoso.

A artrose é uma patologia degenerativa articular, com principal incidência na anca, no ombro e no joelho, podendo apresentar vários graus de evolução e comprometendo a qualidade de vida das pessoas que apresentam esta doença.

De acordo com o Dr. Francisco Santos Silva, ortopedista e director clínico do Diartro – Instituto de Ortopedia e Prótese Articular, «a artrose ou, mais propriamente, a “doença da cartilagem“, é uma das afecções mais frequentes na nossa espécie. A “doença da cartilagem“ afecta uma parte significativa da população depois dos 45 anos, embora só em alguns casos com gravidade suficiente para determinar sintomas e conduzir a incapacidade funcional com
significado».

Numa articulação normal, as extremidades dos ossos que a compõem são cobertas por um tecido duro, elástico e esbranquiçado, designado por cartilagem, que permite o deslizamento suave dos mesmos e que actua como uma almofada, absorvendo os efeitos de impacto e de carga, durante o movimento.

«No início desta doença, e determinada por vários factores, começa por ocorrer uma deterioração da cartilagem, com perda da sua regularidade e elasticidade e consequente diminuição da sua eficácia, o que progressivamente contribui para a sua degradação adicional», salienta Francisco Santos Silva, acrescentando:
«Na evolução da artrose, para além do envolvimento da cartilagem, há também, em associação, uma degradação progressiva nos outros tecidos que compõem a articulação, em especial na membrana sinovial, conduzindo à instalação progressiva de dor, deformação e limitação do movimento.»

Todas as articulações podem ser envolvidas por um processo de artrose. Contudo, e como já se referiu acima, as ancas e em particular os joelhos (as articulações de maior sobrecarga) são de longe as mais penalizadas.

Terapêutica da artrose

Apesar de não haver a possibilidade de cura para a artrose, pois não existem tratamentos que permitam definitivamente parar ou mesmo inverter um processo de «doença da cartilagem», é, no entanto, possível diminuir algumas das consequências, como a dor, a inflamação e a rigidez articular e assim melhorar os movimentos e a capacidade funcional geral do indivíduo.

«Nesse sentido, temos disponíveis uma variedade de medicamentos e procedimentos médicos capazes de aliviar os sintomas e minimizar a perda evolutiva da função na artrose. De entre os medicamentos, a utilização de um analgésico clássico como o paracetamol é, em muitas situações, suficiente para garantir um alívio eficaz no tempo, sendo geralmente desprovido de riscos e, assim, bem tolerado em utilização prolongada. Os anti-inflamatórios, como o diclofenac e o ibuprofeno, também são com frequência adequados, embora possam acarretar, em utilização muito prolongada e não controlada pelo médico, alguns riscos, em particular para o aparelho digestivo», alerta Francisco Santos Silva.

Dos designados procedimentos médicos, a injecção de um produto com efeito terapêutico (ácido hialurónico) dentro de uma articulação, ou ainda em estruturas dolorosas na sua periferia (infiltração com corticóide), pode revelar-se bastante eficaz no suporte da artrose.

Viscosuplementação na artrose do joelho

De acordo com o ortopedista, «a administração intra-articular de ácido hialurónico exógeno (sintético) numa articulação com sinovial (com movimento), com o intuito de restaurar o normal ambiente reológico da cartilagem e as propriedades viscoelásticas do líquido sinovial, bem como promover redução da dor articular, designa-se por viscosuplementação», refere, acrescentando:
«É um dos procedimentos médicos que, actualmente e em determinadas fases evolutivas da “doença da cartilagem“, proporciona resultados muito favoráveis. Na viscosuplementação, o protocolo terapêutico é sempre adaptado a cada caso particular e de acordo com a gravidade da situação, a articulação


O QUE É O ÁCIDO HIALURÓNICO?

O ácido hialurónico (AH) é um polissacárido linear, formado por unidades dissacáridas, contendo N-acetil-D: glucosamina e ácido glucurónico. O AH está presente em quase todos os tecidos e fluidos biológicos humanos.

As propriedades viscoelásticas do AH proporcionam funções protectoras ao líquido sinovial, como a lubrificação e absorção do choque. O AH promove a absorção do choque durante os movimentos rápidos da articulação (corrida e salto) e a lubrificação durante os movimentos lentos (marcha).

No joelho, a quantidade total de AH é estimada entre 4 a 8 mg. Para utilização em tratamentos médicos intra-articulares, o AH é produzido quer a partir da crista dos galináceos (galos), quer por técnicas de biologia celular (a mais adequada).

As formas mais comuns para uso clínico de ácido hialurónico são o hylan G-F 20 e o hialuronato de sódio. Há também formas de gel de ácido hialurónico, mas estas apenas apresentam propriedades de lubrificação.

O mecanismo de acção do AH exógeno intra-articular está ainda pouco esclarecido, mas, e em termos práticos, o seu efeito terapêutico normalmente prolonga-se por vários meses.

A administração intra-articular do AH apresenta, embora muito raras, algumas reacções adversas imediatas, tais como: eritema, dor articular, tumefacção articular, prurido, cãibras, sinovite aguda. Estes compromissos são fugazes.


VANTAGENS DA VISCOSUPLEMENTAÇÃO

A regular administração intra-articular de ácido hialurónico na artrose do joelho permite restaurar o normal ambiente reológico da cartilagem e as propriedades viscoelásticas do líquido sinovial, promovendo uma consistente redução da dor articular.


Texto: Teresa Pires
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