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Artigo de Saúde Pública®

Nº 58 / Abril de 2007






02 Cancro da Próstata – Diagnosticar cedo antes que seja irremediavelmente tarde
(Entrevistas ao Dr. Francisco Pina e Dr. Francisco Rolo)
Há doenças para as quais o passar do tempo é um factor de mau prognóstico, particularmente o cancro. Obedecendo ao princípio de que mais vale prevenir do que remediar, fica aqui um conselho para todos os homens: a partir dos 50 anos, devem realizar, periodicamente, um exame de rotina para conhecerem o estado de saúde da próstata.


Antes do aparecimento da análise do PSA (sigla do inglês que significa antigénio específico da próstata), o tratamento oferecido aos doentes com cancro da próstata era meramente paliativo, dado que a detecção do tumor se efectuava em fases muito avançadas, o que subtraía a hipóteses de cura.

A introdução desta análise na prática clínica abriu caminho ao diagnóstico precoce, possibilitando um tratamento curativo. Mas não só. A utilização do PSA também revelou o reverso da moeda: uma maior prevalência do número de casos. Afinal, que análise é esta e em que consiste?

«O PSA é uma substância que existe nas células prostáticas e a elevação dos seus níveis revela um problema: hipertrofia benigna da próstata (HBP), prostatite ou tumor. Através de uma análise ao sangue (os problemas da próstata provocam a passagem do PSA para a corrente sanguínea), é possível fazer o doseamento desta enzima e saber se os valores se encontram normais», responde o Dr. Francisco Rolo, presidente da Associação Portuguesa de Urologia (APU).

A subida dos níveis do PSA não revela exclusivamente os tumores da próstata, como, também, a existência de outros processos inflamatórios nesta glândula.
Assim sendo, «o doseamento do PSA é apenas um indicador clínico que justifica a realização de biopsia prostático – a colheita de uma amostra de tecido da próstata», esclarece Francisco Rolo.

A análise do PSA não é o único procedimento clínico. O toque rectal – um exame que, dada a proximidade anatómica, possibilita a palpação da próstata, com o dedo – pode fornecer informações acessórias acerca do volume e consistência da glândula.

«Todos os doentes com um PSA ou um toque rectal suspeitos são candidatos a biopsia: o meio de garantir taxativamente se o doente tem um carcinoma da próstata», salienta o urologista.

Segundo o especialista, «todos os homens com idade igual ou superior a 50 anos devem procurar o seu médico assistente para que seja feita a análise do PSA». Porém, existem casos em que este exame deve ser realizado mais cedo, a partir dos 45 anos.

Causas desconhecidas

Numa fase inicial, cancro da próstata é uma patologia «silenciosa», que evolui sem sintomas ou queixas. Dada a ausência de marcadores específicos, a sua detecção só é possível através de exames de rotina, nomeadamente, a análise do PSA e o toque rectal. «Não existem causas conhecidas, sabe-se apenas que alguns factores, como a raça negra, o aumento da idade e a história clínica familiar,
podem proporcionar o aparecimento deste carcinoma.

Suspeita-se, ainda, que uma alimentação rica em gorduras animais poderá ser prejudicial, mas são apenas hipóteses que, do ponto de vista prático, não são muito significativas», frisa Francisco Rolo.

O carcinoma da próstata ocupa, actualmente, a terceira posição da «lista negra» de cancros que mais matam homens no nosso País. E, apesar de as campanhas de sensibilização alertarem todas para o diagnóstico precoce, «há ainda muitos homens que só procuram ajuda médica numa fase já avançada».

De acordo com o urologista, «numa etapa mais adiantada da doença, o carcinoma deixa de estar localizado à glândula prostática, invadindo o sistema linfático e outras estruturas».

Quando o tumor cresce e ganha terreno, é frequente surgirem alguns sintomas de trato urinário (dificuldades em urinar e obstrução), que resultam do crescimento da próstata e, por conseguinte, da compressão da uretra. A par destes sintomas, podem surgir dores ósseas, que derivam da disseminação do tumor a outros órgão do corpo (ver infografia.)

«É importante tratar o cancro da próstata na fase em que o tumor está localizado. Embora se saiba que nem todos os carcinomas são perigosos, na dúvida entre distinguir os agressivos dos inofensivos, tratamos todos os que são diagnosticados», afirma.

Registar os números do cancro da próstata

Com o objectivo de apurar a prevalência do cancro da próstata, está em curso, em Portugal, o Registo Nacional do Cancro da Próstata – ReNaCaP – uma iniciativa conjunta da APU e dos Laboratórios Sanofi-Aventis.

Trata-se de um estudo observacional, com a duração de três meses, cujo intuito é «fazer o levantamento de todo o tipo de casos que se encontrem em consulta, em tratamento ou vigilância clínico-laboratorial, permitindo construir o panorama real desta patologia em Portugal», refere o Dr. Francisco Pina, Coordenador deste projecto e Chefe de Serviço de Urologia do Hospital de S. João, no Porto.

«O que se pretende é obter dados epidemiológicos dos doentes, nomeadamente idade, idade de diagnóstico e área de residência. O inquérito em curso revelará qual a percentagem de doentes que têm diagnóstico com comprovação histológica, qual o estádio clínico (extensão da doença), que terapêuticas foram utilizadas ou está previsto utilizar em cada caso (prostatectomia radical, radioterapias radical/adjuvante/de salvação, terapêuticas hor mo nais primárias ou adjuvantes, entre outras», continua.

A recolha dos dados é confidencial e implica o consentimento escrito e informado do doente. É utilizada uma folha formatada com locais próprios para a introdução dos dados. Todo o material está a ser distribuído por todos os hospitais do Pais (públicos ou privados), que atendam doentes com esta patologia, onde são vigiados e tratados por Urologistas, Radiologistas ou Médicos de Medicina Oncológica.

«Neste registo incluem-se tanto os doentes que apresentem elevada suspeita clínica de cancro da próstata bem como os que têm diagnóstico histológico, nomeadamente por biopsia», adianta o mesmo especialista. O estudo conta com a participação de quatro Coordenadores de Zona e prevê que, findo o período de recolha de dados, se tenha «uma noção real do panorama nacional quanto ao tipo de doentes incidentais (casos novos), doentes tratados, em tratamento ou em vigilância, o que seguramente poderá funcionar como instrumento de trabalho na orientação das políticas de Diagnóstico Precoce por parte das Autoridades Nacionais de Saúde», prossegue Francisco Pina.

O estudo de prevalência ReNaCaP teve início em Fevereiro, prolonga-se pelos meses de Março, Abril, e Maio, prevendo-se que os resultados sejam conhecidos no final de Outubro
do corrente ano.


Os tratamentos para o cancro da próstata

As possibilidades terapêuticas dividem-se em três grupos:
– Tumores com comportamento benigno: ficam periodicamente em observação;
– Tumores em fase localizada: nestes casos, pode-se recorrer à cirurgia ou prostatectomia radical, à radioterapia externa, à braquiterapia (introdução de sementes radioactivas na próstata), à crioterapia e aos ultrassons localizados;
– Criação de metástases (disseminação do tumor a outras zonas): hormonoterapia, uma terapêutica medicamentosa que inibe o crescimento do tumor, porque actua sobre a produção de testosterona, uma hormona que «alimenta» o crescimento tumoral.


Texto: Andreia de Sousa Pereira
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