DirectorJosé Alberto Soares Editor Executivo Rui Miguel Falé Redacção Bruno Dias
Manuel Moreira
Paula Pereira
Sofia Filipe
Davide Carvalho (colaborador)
Fotografia Ricardo Gaudêncio (Editor)
Jorge Correia Luís
José Madureira
Agenda Copy DeskSérgio Baptista Director de ProduçãoJoão Carvalho Director ComercialJosé Maria Vilar Gomes Director de Produção Gráfica José Manuel Soares Directora de MarketingAna Branquinho Director de MultimédiaLuís Soares Publicidade
Departamente Administrativo e FinanceiroHelena Mourão (Coordenação)
Patrícia Curto
Cláudia Nogueira

Medicina e Saúde<sup>®</sup> 132 / Outubro de 2008 Saúde Pública<sup>®</sup> 73 / Outubro de 2008
Mundo Médico<sup>®</sup> 59 / Julho de 2008 Edições Especiais Saúde Pública<sup>®</sup> 1 / Maio de 2007
Edições especiais Mundo Médico<sup>®</sup> 95 / Junho de 2008 Informação SIDA<sup>®</sup> 70 / Setembro de 2008
Mundo Farmacêutico<sup>®</sup> 36 / Setembro de 2008 Jornal Pré-Congresso 1 / Setembro de 2008
Jornal do Congresso 51 / Outubro de 2008 Jornal Diário do Congresso 34 / Outubro de 2008
Saúde em Dia<sup>®</sup> 2 / Abril de 2007 HematOncologia<sup>®</sup> 3 / Outubro de 2008
 

Artigo de Saúde Pública®

Nº 56 / Fevereiro de 2007






13 Hipertensão de bata branca
- Dr.ª Paula Alcântara
Por definição, considera-se hipertenso o indivíduo que tem uma pressão arterial superior a 140/90 mmHg em três visitas consecutivas, no espaço de cerca de três meses. As medições da pressão arterial na consulta são o padrão para definir hipertensão arterial.


Contudo, o desenvolvimento de técnicas não invasivas que permitem medir a pressão arterial ao longo das 24 h, nomea­damente a chamada Medição Ambulatória da Pressão Arterial (MAPA), revelou existir um grupo de indivíduos que tem pressão arterial alta na medição do consultório, mas pressões normais no dia-a-dia. Assim, chamou-se a estes indivíduos hipertensos de bata branca. Este fenómeno acontece quer com indivíduos «normotensos», quer com hipertensos.

O que é este fenómeno?

Trata-se de uma reacção de alerta do organismo, idêntica à que acontece em resposta à dor, ao frio muito intenso ou à ansiedade, para dar alguns exemplos. Assim, durante a consulta, há uma subida da pressão arterial, a qual não se verifica noutras condições, por exemplo quando a pressão é medida numa farmácia ou em casa e, às vezes, quando é medida pela enfermeira antes da consulta.

Estima-se que este fenómeno ocorra em cerca de um quarto a um terço dos hipertensos e que tenha uma prevalência de cerca de 10% nos «normotensos».

Podemos desconfiar da presença de hipertensão de bata branca, ou fenómeno da bata branca (no caso dos hipertensos), quando, em face de terapêutica óptima, os doentes não estão controlados, mas apresentam sintomas suspeitos de hipotensão e quando, aparentemente não controlados, têm pressões arteriais medidas em casa ou nas farmácias muito mais baixas, ou mesmo normais, na presença de critérios para definir hipertensão resistente (felizmente situação pouco frequente).

Só após a realização de medição ambulatória da pressão arterial (MAPA) é que podemos saber se estamos perante o fenómeno da bata branca.

Qual a importância deste fenómeno?

Quando na consulta esta subida da pressão arterial é muito intensa, pode levar à classificação errada destes indivíduos. No caso dos hipertensos medicados, leva, por vezes, ao diagnóstico de hipertensão não controlada e de hipertensão de difícil controlo ou resistente. Pessoas «normotensas» são, muitas vezes, consideradas como hipertensas e tratadas como tal.

Do ponto de vista imediato, estamos a sujeitar, desnecessariamente, os doentes a terapêuticas mais ou menos agressivas, com os seus efeitos secundários e os custos económicos inerentes, sem um benefício óbvio.
Porém, a nós médicos dedicados à hipertensão, levanta-se um problema de mais difícil resolução – decidir se a hipertensão de bata branca deve ou não ser tratada como a hipertensão sustida. Por outras palavras, será que a hipertensão de bata branca é um fenómeno perfeitamente benigno e, como tal, não é motivo de preocupação?

Vários estudos têm mostrado que estes indivíduos com hipertensão de bata branca têm alterações em órgãos-alvo (coração, rim e vasos) intermédias entre os «normotensos» e os hipertensos (logo, não parece tratar-se de um fenómeno inteiramente benigno). Contudo, outros estudos mostram que os hipertensos de bata branca não têm quaisquer alterações, tal como os «normotensos». Quer uns, quer outros são, em geral, estudos com pequeno número de doentes e não prospectivos.

O estudo mais importante, o único prospectivo, no qual umas centenas de hipertensos de bata branca foram seguidos ao longo dos anos, mostrou que estes indivíduos vêm a desenvolver hipertensão arterial sustida numa percentagem muito superior à dos «normotensos». No entanto, o seguimento e o número de doentes não foram suficientemente grandes para mostrar se há ou não impacto na mortalidade e morbilidade.

Na actualidade, não existem estudos que demonstrem claramente o impacto deste fenómeno na mortalidade e morbilidade futura destes indivíduos. Assim, de forma personalizada, perante a existência ou não de lesão de órgão e considerando as doenças ou factores de risco associados, tratamos ou não a hipertensão de bata branca.

Em todos os hipertensos de bata branca é fundamental a vigilância da sua pressão arterial, preferencialmente por MAPA anual, pois, o risco de desenvolverem hipertensão sustida é elevado.


Dr.ª Paula Alcântara
Especialista de Medicina Interna e Hipertensão Clínica no Hospital de Santa Maria


Comentários

J. Pontes às 23:33 17-10-2008 :

Gostaria ir a uma consulta com a Sra. Dra. Paula Alcântara, mas não sei como, nem onde. Será possível que me informem ?

ver comentários (1)

Deixe o seu comentário sobre este artigo