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Artigo de Saúde Pública®

Nº 53 / Novembro de 2006






07 Cancro do pulmão
- Dr.ª Teresa Almodôvar
O cancro do pulmão é uma doença provocada pelo homem e, como tal, evitável em grande parte dos casos, por alteração dos estilos de vida.


Nos países desenvolvidos, o cancro do pulmão já é, actualmente, a causa de morte por tumor mais frequente no homem. No entanto, enquanto que no homem há uma estabilização do aparecimento de novos casos e, nalguns países, há mesmo um declínio, nas mulheres a ocorrência de cancro do pulmão tem vindo a aumentar, ultrapassando como causa de morte feminina o cancro da mama.

Em Portugal, são diagnosticados anualmente cerca de três mil novos casos de cancro do pulmão e mais de metade dos doentes morre decorrido menos de um ano após o diagnóstico.

Esta patologia é, actualmente, a 2.ª causa de morte por doença oncológica em Portugal, a seguir ao cancro do intestino. No caso específico do sexo masculino, o cancro do pulmão é a 1.ª causa de morte por cancro.

O cancro do pulmão, como todos os cancros, é a proliferação anormal e descontrolada de células no pulmão. As células normais reproduzem-se e desenvolvem-se para formação de tecidos normais, enquanto que estas células se reproduzem rapidamente e nunca evoluem para tecido pulmonar normal, constituindo aglomerados de células cancerosas que invadem o pulmão e o impedem de funcionar adequadamente.

Estas células têm potencial para invadir órgãos adjacentes e, pela via sanguínea, órgãos à distância, passando o tumor a estar metastizado. Na maioria dos casos (cerca de 85%) o cancro do pulmão é causado pelo tabaco. A incidência mais elevada no homem do que na mulher deve-se à maior quantidade de homens fumadores, no passado. O aumento do número de casos nas mulheres está em proporção com o aumento de mulheres fumadoras.

O risco de um fumador ter cancro do pulmão aumenta com o número de cigarros fumados, o número de anos a fumar e a precocidade do hábito. Nas mulheres, a relação entre a sensibilidade ao fumo do tabaco e o desenvolvimento de cancro do pulmão é maior.

Deixar de fumar é sempre vantajoso, mesmo quando o hábito foi prolongado. Sabe-se que o risco de cancro do pulmão pode diminuir de 80 para 50% em ex-fumadores, com o passar dos anos.

Os estudos epidemiológicos efectuados mostraram que apenas cerca de 11% dos fumadores desenvolvem cancro do pulmão, o que levou a pensar na existência de uma predisposição individual.

Esta tem vindo a ser confirmada recentemente por estudos genéticos. Não é possível, no entanto, ainda saber quais as pessoas mais sensíveis à actividade dos agentes carcinogeneos do tabaco.

Outras causas de cancro do pulmão são as exposições ambientais ao amianto, a substâncias radioactivas, para além do tabaco.

O diagnóstico é habitualmente efectuado numa fase avançada da doença, em que já existem poucas hipóteses de terapêutica curativa, o que explica a mortalidade de cerca de 85% aos cinco anos.

Os fumadores, a partir dos 40 anos, devem estar atentos aos sintomas de alerta para o cancro do pulmão, que podem ser tosse persistente ou alteração de características da tosse de fumador, expectoração com sangue, dor torácica, dificuldade respiratória, pieira, episódios repetidos de pneumonia ou bronquite, rouquidão.

Como todos os cancros, o do pulmão pode causar fadiga, perda de apetite e emagrecimento. Outras vezes, pode causar sintomas que parecem não estar relacionados com os pulmões, como dificuldade em engolir, dor no ombro e braço, inchaço da face e pescoço. Se o cancro já se estendeu a outros órgãos do corpo pode causar dores de cabeça, alterações do comportamento, dores ósseas ou dores abdominais. Não existe um teste único que permita afirmar ou excluir categoricamente a existência de cancro do pulmão, pelo que quem tiver estes sintomas deve recorrer ao seu médico assistente para este lhe orientar o diagnóstico.

Estão a decorrer no Mundo vários estudos para encontrar um teste de rastreio para o cancro do pulmão, que permita reduzir a mortalidade da doença através do diagnóstico mais precoce à população de risco assintomática. Estes estudos envolvem exames imagiológicos (TAC de baixa resolução) e exames endoscópicos (broncofibroscopia).

Nenhum destes estudos provou, no entanto ainda, verdadeira eficácia na diminuição da mortalidade por cancro do pulmão.

A melhor forma de evitar morrer com cancro do pulmão passa por desenvolver hábitos saudáveis que incluem não fumar, ter um estilo de vida activo e alimentação equilibrada.


Dr.ª Teresa Almodôvar
Pneumologista no Instituto Português de Oncologia de Lisboa
[email protected]
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