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Artigo de Saúde Pública®

Nº 51 / Setembro de 2006






04 Janela do Cidadão – A Saúde dos pobres – Dr. Álvaro Cidrais
Saúde e economia são duas variáveis interligadas. Quando for velhinho, haverá genética para os ricos e genéricos para os pobres! A esperança média de vida será um factor de desigualdade.
O potencial de violência social será elevado. Paremos e mudemos!



A saúde é algo que atingimos pela prevenção, pelo tratamento e pela reabilitação. Cada vez é mais preventiva. Dentro de uma geração, será baseada na genética. Nos países mais desenvolvidos, é promovida de forma
activa nas escolas e na comunidade.
Perante a situação socioeconómica nacional, se não houvesse um Estado equilibrador e um Sistema Nacional de Saúde, a diferença entre ricos e pobres era assustadora. Naturalmente, estaríamos perante um barril de pólvora social.

A distinção entre ricos e pobres faz-se entre vários aspectos, pelo acesso à medicina privada (que investe mais no atendimento do que a medicina) e pelo direito a utilizar os tratamentos tecnológicos de ponta ou os novos medicamentos.
Aos ricos, abrem-se as portas da genética.
Aos pobres, resta o Estado.

De acordo com as perspectivas de desenvolvimentoeconómico e tecnológico ao nível global
– com forte impacto nacional –, face à evolução política e social, no futuro, a realidade poderá ser muito diferente. Pode nem existir um SNS ou qualquer sistema que proteja os pobres. E, não esqueçamos, em Portugal, ainda são cerca de dois milhões!

Todos os dias aparecem soluções tecnológicas e genéticas muito interessantes defendidas por patentes. Estão ao dispor dos ricos. Inscrevem-se nas áreas da prevenção, do tratamento e da reabilitação.

As empresas e os centros de investigação privados investem no desenvolvimento de soluções, bem como na descoberta de novas aplicações tecnológicas. Todas elas são protegidas pelo sistema de patentes! Felizmente, começamos a ter
laboratórios portugueses nestes sectores. É um aspecto relevante, um sinal de desenvolvimento económico.

Mas, por outro lado, ao nível público, a aposta na investigação e desenvolvimento (na componente aplicada) tende a diminuir ou a estagnar.

Num futuro bem próximo, para os bolsos mais recheados, a genética começará a assumir um papel estruturante na prevenção das doenças.

Do mesmo modo, as escolas que incorporarem a educação para a saúde serão mais procuradas pelos pais mais exigentes do ponto de vista socioeconómico e cultural.
Será o efeito combinado destas duas condições que elevará a esperança média de vida destes cidadãos (ricos) para 100 a 120 anos, caso a natureza não pregue partidas.

No contexto liberalista da sociedade, daqui a 40 anos, a esperança média de vida dos ricos será muito mais elevada do que a dos pobres (poderá ser o dobro!), incrementando mais um factor de disparidade social com forte potencial
de violência.

É esta a sociedade que estamos a construir, sem o devido cuidado de reflectir de modo sistémico e sistemático sobre os seus impactos. Poderá ser a nossa desgraça.

No caminho que o liberalismo inconscientepretende traçar, continuaremos a construir um elevado potencial de descontentamento que, a seu tempo, criará situações tão desagradáveis como as que se verificaram recentemente em
São Paulo ou nos subúrbios de Paris.

Sem medos, nem bloqueios ideológicos e partidários, temos de precaver o futuro, reinventando o sistema!


Dr. Álvaro Cidrais
Geógrafo e Consultor
[email protected]

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