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Artigo de Saúde Pública®

Nº 51 / Setembro de 2006






02 Manifestações clínicas de AVC – Dr.ª Marta Carvalho
O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das várias
manifestações da doença vascular cerebral. Apesar da
designação desta patologia, o AVC raramente é um acidente, já que o seu aparecimento é geralmente o culminar da acção continuada, ao longo de anos, de vários factores que deterioram progressivamente a parede das artérias (factores de risco vascular), conduzindo mais cedo ou mais tarde a sintomas neurológicos.

Assim, o termo «acidente» só traduz o carácter súbito com que os sintomas neurológicos se instalam, mudando a vida do doente e familiares de um modo imediato, muitas vezes definitivo e dramático.

Quando uma artéria que leva o sangue a uma determinada zona do cérebro sofre um processo de trombose (oclusão ou «entupimento por um coágulo»), então essa mesma zona
deixa de receber os nutrientes de que precisa para funcionar adequadamente, sofrendo um enfarte cerebral; estabelece-se assim um AVC isquémico. Pelo contrário, se essa mesma artéria sofrer um processo de ruptura («derrame») há extravasamento de sangue (hematoma) para o tecido cerebral, que vai ficar destruído – AVC hemorrágico.

Em termos gerais, pode dizer-se que as manifestações de ambos os tipos de AVC podem ser semelhantes: os sintomas podem surgir durante o dia, de uma forma súbita e rápida, atingindo o máximo de intensidade geralmente em minutos ou no máximo em poucas horas; ou então o doente pode acordar com os sintomas se o AVC ocorreu durante o sono.

Pode haver, ou não, relação com situações de esforço físico, sendo muito mais rara a sua associação com factores emocionais. Esses sintomas são variados, reflectindo a zona do cérebro que está em sofrimento.

Simplificadamente, podemos dizer que o cérebro está organizado em áreas que individualmente comandam uma determinada função corporal, e essas áreas são vascularizadas pelas suas respectivas artérias, que ao ocluírem ou romperem vão produzir sintomas específicos
nessa zona do corpo. Tendo em mente esta organização
funcional do cérebro, torna-se mais fácil a compreensão dos sintomas de um AVC:

1) falta de força (ou paralisia) de metade do corpo, de uma forma proporcionada ou atingindo de forma preferencial a zona da face (causando «boca ao lado»), do braço ou da perna;

2) perda de sensibilidade ou sensação de «formigueiros» em metade do corpo, podendo igualmente afectar as várias partes do corpo de uma forma proporcionada ou não;

3) alteração da fala, seja da capacidade de elaborar um discurso fluente, de compreender o que é perguntado ou na própria articulação de palavras;

4) perda de visão de um dos olhos (amaurose fugaz).
Por vezes, pode haver outros sintomas a acompanhar
estes mais característicos, que todavia isoladamente não são, em geral, sintomas de AVC:
uma dor de cabeça muito intensa e de início súbito
(máximo de intensidade logo no início ou em um minuto), principalmente se acompanhada de enjoo ou vómitos; vertigens; desequilíbrio, visão dupla, dificuldade em engolir.

No entanto, se algum destes últimos sintomas aparecer isoladamente ou se o doente tiver um desmaio, sensação de cabeça vazia, episódio de confusão ou incontinência urinária estes não devem ser encarados como sintomas de AVC, pois, não traduzem sofrimento de causa vascular de áreas específicas do cérebro.

Em alguns casos os sintomas de AVC anteriormente descritos desaparecem ao fim de alguns minutos ou até mesmo de algumas horas.

Quando isto acontece, falamos de acidente isquémico transitório (AIT), que é muitas vezes um indicador de risco aumentado de AVC definitivo nas horas seguintes, dias ou meses.

Estes casos devem ser reconhecidos e os doentes devem dirigir-se ao hospital com a mesma urgência como se os sintomas não tivessem passado. Por isso, qualquer doente com sintomas transitórios do tipo dos mencionados
anteriormente deve encarar o seu problema como um sério aviso e não desvalorizá-lo por ter passado.

O AVC é uma emergência médica, pois, quanto mais precocemente se iniciar o tratamento maior a probabilidade de se salvar mais tecido cerebral, o que dimunui as sequelas e incapacidades daí resultantes; alguns destes tratamentos
são muito eficazes, mas só se forem aplicados nas primeiras três horas após o início dos sintomas.

Para ajudar a que as pessoas reconheçam facilmente os sintomas típicos de AVC e se dirijam rapidamente ao hospital de forma a poderem ser tratadas o mais precocemente possível, a Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral – SPAVC – destaca três SINAIS DE
ALERTA que devem ser do conhecimento de todos:
o aparecimento súbito de: boca ao lado, falta de força num lado ou dificuldade em falar.

Se estiver perante alguém com estes sintomas, não perca tempo: ligue 112, de forma que possa chegar mais rapidamente ao hospital da sua zona que esteja melhor preparado para prestar estes cuidados diferenciados, utilizando a via verde para o AVC.


Dr.ª Marta Carvalho
Serviço de Neurologia do Hospital de São João, Porto. Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC)
[email protected]


Em colaboração com Farmalux - Grupo Tecnifar

Comentários

ALEXANDRA PINTO PACHECO às 18:36 23-10-2008 :

Exma Dra Marta,

Andando a navegar na net, deparei com o seu artigo e tenho a impressão que fui vista por si em 11/9/2002, no HSJ, quando já apresentava dificuldades em falar bem como desvio da comissura, na sequência do que mais tarde me vieram a diagnosticar como um AIT mas sem grandes conclusões. Tenho como factor de risco colesterol elevado desde os meus 20 anos e tenho hoje 42 ) que vou controlando ( Inegy 20/10 mg + Aspirina 100 mg) mas medicação essa que me deixa completamente de rastos, havendo dias em que me custa mesmo levantar. Hoje particularmente e acho que tenho um ligeiro aumento da pupila dta. Gostava da sua opinião se posso fazer mais exames ( não sei se consegue recuperar o processo) para prevenir situações futuras.

Aguardando a sua resposta, envio os meus melhores cumprimentos

Alexandra Pacheco

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