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Artigo de Saúde Pública®

Nº 49 / Junho de 2006






22 Saúde Animal – A vida sem pulgas e carraças… - Dr.ª Ana Leal Barata Moura
As carraças são pequenos artrópodes, parentes próximos das aranhas, dos escorpiões e dos ácaros. As pulgas, essas, fazem parte da grande classe dos insectos. No entanto, estes dois pequenos seres têm, pelo menos, uma coisa em comum: ambos são parasitas que se alimentam do sangue dos mamíferos, nomeadamente do gato, podendo causar muito desconforto e sérios problemas de saúde.


Uma picada de pulga pode passar despercebida em alguns animais, noutros pode causar ligeiras irritações, e nos animais com grande sensibilidade à saliva da pulga causa uma reacção exuberante de dermatite alérgica.

Infestações severas de pulgas podem transmitir variadas doenças, assim como parasitas gastrintestinais.

As carraças são parasitas da pele, que se alimentam exclusivamente do sangue do seu hospedeiro.
Estes acarídeos têm um forte potencial de transmissão de doenças, agindo como «vectores» de várias zoonoses (ex.: doença de Lyme), doenças que podem ser transmitidas ao Homem.

O ciclo de vida das pulgas e carraças

As pulgas são insectos deveras devotos ao seu trabalho. Num só dia, uma pulga pode «picar» um gato mais de 400 vezes, podendo chegar a consumir um volume de sangue superior ao seu peso corporal.

Uma pulga adulta dirige-se ao seu hospedeiro para a sua refeição. Após a mesma, acasala e produz ovos (uma pulga fêmea pode pôr, por dia, até 50 ovos). Estes ovos, de dimensões microscópicas, caem para o chão, iniciando-se o
período mais longo e crítico de uma infestação por pulgas:
Após aproximadamente um período de dois a cinco dias, o ovo irá eclodir, surgindo uma larva de pulga que se manterá escondida nos lugares mais escuros e sombrios da casa (carpetes, rodapés...), alimentando-se de pequenos detritos orgânicos (desperdícios das pulgas adultas, pedaços de descamação da pele, etc...).

Esta mesma larva cresce, duplica o seu tamanho e desenvolve um casulo, transformando-se numa pupa (ou pulga imatura). Estamos agora perante um novo estádio do ciclo de vida da pulga, que se pode manter em hibernação no ambiente, por longos
períodos de tempo, aguardando que os sinais do exterior, indicando que se encontram presentes as condições ideais para a sua passagem até à fase de adulto surjam.

Esses importantes sinais do ambiente incluem pequenas vibrações e vestígios de dióxido de carbono, garantia da presença de um hospedeiro. Então, a pupa eclode do seu
casulo dando lugar à pulga adulta que se dirige ao animal para a sua primeira refeição! E assim se completa o ciclo, recomeçando tudo de novo. As carraças são acarídeos que vivem exclusivamente do sangue dos seus hospedeiros.

O ciclo de vida da carraça divide-se em quatro fases de desenvolvimento: o ovo, a larva, a ninfa e o adulto. Em todas estas fases podem parasitar um hospedeiro. Uma carraça adulta pode chegar a pôr 20.000 ovos, que cairão para o chão e se desenvolverão, preferencialmente se se tratar de locais com vegetação de baixa a média altura e
algum grau de humidade. Assim, os jardins e matas do nosso campo (e também das nossas cidades...) constituem uma óptima armadilha para os hospedeiros, como os gatos, em plena actividade «inspectora» do ambiente que os rodeia.

Tratar o mal pela raiz!

O melhor método para controlar o problema das pulgas é prevenir o seu aparecimento!

A primeira atitude a ter passa por compreender e interiorizar que a prevenção da pulga e a sua eliminação implica, sempre, a prevenção e eliminação do desenvolvimento de todo o ciclo de vida da pulga, e não exclusivamente da pulga adulta (aquela que de facto vemos no animal) como elemento individual. Como vimos, a sua capacidade de reprodução é quase inigualável (no seu período de vida, uma pulga pode chegar a colocar milhares de ovos!) O nosso objectivo tem de ser garantir que esses milhares não se transformarão em outros milhares mais!

Existem no mercado variados produtos indicados para o controlo e prevenção da pulga. Existem, naturalmente, formulações mais eficazes que outras, mais adaptadas para um ou outro determinado tipo de problema.

Importante é, no entanto, saber escolher o produto correcto para cada situação. É fundamental a leitura do rótulo (muitos problemas de mau uso e maus resultados surgem por subestimação deste ponto) e um aconselhamento com o médico veterinário ou com o profissional que lhe forneceu o produto, para o esclarecimento de pequenas dúvidas que possam surgir (ex: posso associar a aplicação do produto com o banho do meu gato?). Pode mesmo contactar o laboratório representante do produto para esclarecimentos
adicionais desejados ou mesmo a partilha de alguma curiosidade.

As carraças são acarídeos que vivem exclusivamente do sangue dos seus hospedeiros. O ciclo de vida da carraça divide-se em quatro fases de desenvolvimento: o ovo, a larva, a ninfa e o adulto. Em todas estas fases podem parasitar um hospedeiro.

Uma carraça adulta pode chegar a pôr 20.000 ovos, que cairão para o chão e se desenvolverão, preferencialmente se se tratar de locais com vegetação de baixa a média altura e algum grau de humidade. Assim, os jardins e matas do nosso campo (e também das nossas cidades...) constituem uma óptima armadilha para os hospedeiros, como os gatos, em plena actividade «inspectora» do ambiente que os rodeia.

Como e quando tratar?

O ideal é iniciar a prevenção no início da época das pulgas. A severidade e duração da mesma são, no entanto, extremamente variáveis de região para região, de ano para ano (muito dependente das condições atmosféricas). Pode apenas durar uns meses nalguns locais, existindo, no entanto, outros em que as pulgas podem sobreviver
durante todo o ano. Numa casa bem aquecida, as pulgas podem mesmo manter-se de uma estação para a outra. Este é então outro factor a ter em conta quando pensa e resolve agir, no campo do combate às pulgas.

Na luta contra as carraças a palavra-chave volta a ser: prevenir! É imperativo, particularmente no caso das carraças, agir prevenindo as doenças, por estas transmitidas.

À semelhança do que ocorre no combate à pulga, a prevenção passa também por tentar evitar os locais mais propícios à ocorrência das carraças (jardins com ervas altas, locais de forte densidade de mata, fetos...)

Se um animal já se encontra parasitado por uma carraça e não está protegido, esta deve ser removida o mais breve possível, limitando assim o tempo disponível para uma possível transmissão de agentes causadores de doença.

Existem vários métodos descritos para a remoção de carraças (deposição de algumas gotas de álcool provocando a retracção das suas pinças bucais; utilização de tesouras...), sendo sempre importante uma lavagem com água e sabão e aplicação de desinfectante no local, após a remoção da mesma (uma vez que existe a possibilidade de um fragmento da carraça ficar fixo ao animal, podendo causar inflamação e desconforto).

Não deverá manusear a carraça com as suas mãos nuas, deve usar luvas, evitando assim a transmissão de algum agente patogénico existente.

É sempre aconselhável a lavagem (e desinfecção) das mãos após a remoção de uma carraça.

Medidas como a colocação de um fósforo acesso, ou a aplicação de gel à base de petróleo (vaselina) nunca deverão ser tomadas, uma vez que não são eficazes na remoção de carraças e permitem um maior período de ligação da carraça ao hospedeiro, aumentando assim a probabilidade de transmissão de doença.


Algumas dicas importantes...

– Leia atentamente o rótulo antes de iniciar a utilização do produto. Caso fique com alguma dúvida, peça esclarecimento ao profissional que lhe forneceu o produto ou ao representante;

– Siga correctamente as indicações. Se o produto é indicado para cães, não use em gatos ou outros animais. Se a indicação for aplicação mensal, não aplique diariamente
(salvo indicação contrária do veterinário ou fornecedor). Se a indicação é para aplicação no ambiente, não utilize no animal...

– Se o seu animal mostrar sintomas de doença logo após o tratamento, contacte o seu veterinário. Sintomas de envenenamento/intoxicação podem incluir forte irritação
local da pele, perda de apetite, depressão, vómito, diarreia ou salivação excessiva.

– Mantenha os produtos longe do alcance das crianças.


Dr.ª Ana Leal Barata Moura
Médica veterinária
[email protected]
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