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Artigo de Saúde Pública®

Nº 45 / Fevereiro de 2006






10 Esquizofrenia: do estigma ao conhecimento da doença - Prof.ª Doutora Maria Luísa Figueira e Dr.ª Lara Severino
Prof.ª Doutora Maria Luísa Figueira
Directora do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria. Professora de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Lisboa

Dr.ª Lara Severino
Médica Psiquiatra
Hospital de Santa Maria


A esquizofrenia é uma das perturbações mentais mais frequentemente referida.

A designação «esquizofrenia» foi introduzida por Eugen Bleuler, em 1911, com o significado de mente dividida, sendo actualmente o termo aceite para designar esta perturbação psicótica. Por sua vez poderíamos dizer que psicose é um termo que engloba várias perturbações mentais, nas quais existe uma dificuldade em compreender a realidade, isto é, a realidade não é o que se percebe como sendo real.

Considera-se que aproximadamente 1% da população sofre de esquizofrenia, tendo início geralmente entre os 15 e os 25 anos nos homens, entre os 25 e os 30 nas mulheres e afectando em igual proporção ambos os sexos.

O aparecimento da doença modifica radicalmente a relação do indivíduo com os outros e com o que o rodeia. Dá-se uma cisão ou ruptura na continuidade de sentido da sua vida mental, no contexto da sua evolução biográfica.

Já na família e pessoas afectivamente significativas produz uma importante angústia, perplexidade e dificuldade em compreender os comportamentos mais patológicos.

Relativamente à gravidade da sintomatologia, esta pode ser variável, assistindo-se a uma marcada heterogeneidade clínica, dependendo da personalidade prévia do indivíduo e da fase evolutiva da doença.

Os sintomas são geralmente agrupados em duas grandes categorias: positivos e negativos. Querendo ser mais específicos, poderíamos referir-nos também a sintomas cognitivos e afectivos.

Os sintomas positivos estão presentes com maior notoriedade na fase aguda da doença, incluem as ideias delirantes – falsas crenças, suportadas com grande grau de convicção apesar de evidência que contraria a sua veracidade. Estas ideias podem referir-se a uma grande variedade de temas como, por exemplo, perse­cutórios – o indivíduo pode estar convencido que é perseguido, alvo de uma conspiração; megalómanos – a ideia de ser muito rico, importante ou famoso. Outro exemplo de sintomas positivos são as alucinações – as pessoas podem ouvir, ver, cheirar coisas que não existem. As alucinações mais comuns na esquizofrenia são as auditivas.

Como exemplo de sintomas negativos, os familiares poderão queixar-se que o indivíduo mostra um empobrecimento afectivo, isola-se, tem dificuldades no funcionamento intelectual, revela uma perda da iniciativa,
recusa ir à escola ou trabalhar.

A etiologia é multideterminada, sendo com muita probabilidade uma doença do desenvolvimento neuronal precipitada por factores ambientais externos.

O tratamento da esquizofrenia tem de integrar vários métodos (biológicos, psicológicos e sociais), embora deva ser centrado nos métodos psicofarmacológicos. Nestes, os mais utilizados são os fármacos antipsicóticos. Os antipsicóticos mais recentemente descobertos como o aripiprazol, a ziprazidona, a quetiapina, a olanzapina e a risperidona, são eficazes para a redução do sintomas positivos e parecem actuar também nos sintomas negativos e na melhoria dos sintomas afectivos, em particular na depressão, muitas vezes associada aos sintomas psicóticos.

Não podemos esquecer o estigma associado à doença e as consequências negativas na qualidade de vida dos doentes. Reflecte-se, não apenas nas dificuldades de integração laboral, mas também nos aspectos de aceitação social e familiar tendo um impacto negativo na vida em geral.

Para além do papel que compete às instituições estatais na implementação de oportunidades, condições de aprendizagem e integração socioprofissional, é importante o papel das associações de doentes e familiares.

A luta contra o estigma desta doença é fundamental. Passa pela educação para a saúde mental, não apenas dos familiares dos doentes, mas da sociedade em geral. O doente com esquizofrenia não deve ser «olhado» como um ser diferente, nem mesmo perigoso. Esta é uma doen­ça que tem em grande parte uma base biológica e só os preconceitos podem levar a encará-la como uma consequência da sociedade ou das práticas familiares.

De facto, se nos anos sessenta este era o modelo adoptado para a explicação desta doença, hoje sabe-se que as razões de natureza psicossocial assumem apenas um papel precipitante, mas que a doença só se virá a manifestar se houver um terreno neurobiológico predisposto.

É o facto de ser uma doença mental com manifestações exteriores, a nível do comportamento, que podem gerar perplexidade e angustiar familiares e amigos que rodeiam o doente, que leva à criação de falsas crenças e de explicações erróneas para os sintomas.

Durante décadas culpabilizou-se a família, em particular a mãe destes doentes, como os responsáveis directos pela doença. Finalmente, o desenvolvimento das neurociências e da investigação psiquiátrica e de novos tratamentos, veio demonstrar precisamente o contrário: muitas famílias estão perturbadas pelo facto de um dos seus membros adoecer de forma tão grave, manifestando transformações na personalidade e no modo de comunicar e interagir. A perturbação da família passou a ser vista como uma consequência e não uma causa da doença.

As dificuldades de comunicação e de interacção social dos próprios doentes esquizofrénicos estão na base das dificuldades de aceitação e compreensão da doença por parte da sociedade em geral. No entanto, mesmo que os fármacos antipsicóticos melhorem alguns aspectos da sua sociabilidade, o trabalho de sociabilização tem de ser programado para o resto da vida. Por conseguinte, a integração social e profissional do doente esquizofrénico apresenta grande relevância devendo constituir uma prioridade em saúde mental.
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