- Dr. Filipe Froes
A gripe é uma doença infecciosa aguda causada pelo vírus
influenza. É muito contagiosa e, anualmente, é responsável por epidemias sazonais, que atingem 5 a 20% da população.
A vacinação contra a gripe sazonal é a principal forma de prevenir e reduzir o impacto de uma epidemia. É recomendada a pessoas com mais de 65 anos, doentes crónicos com mais de seis meses de idade, grávidas com tempo de gestação superior a 12 semanas, profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados como, por exemplo, trabalhadores de lares da terceira idade.
Nesta época gripal, pela primeira vez, a DGS aconselhou a vacinação também às pessoas com idade entre os 60 e os 64 anos e às pessoas obesas (IMC>30). De acordo com a Dr.ª Graça Freitas, subdirectora-geral da Saúde, «a gripe pandémica veio demonstrar que pessoas que não têm propriamente uma doença, mas um atributo como a obesidade, possuem maior probabilidade de vir a ter complicações da gripe».
A vacina contra a gripe é comparticipada em 37% pelo Estado, pelo que as pessoas que têm uma prescrição (receita) médica pagam até cerca de 5 euros, sendo o valor da vacina entre 6,5 a 8,3 euros, dependendo da marca comercial.
Em termos do número de vacinas a fornecer às farmácias, as empresas farmacêuticas estão preparadas para disponibilizar cerca de 2 milhões de doses.
A DGS considera que esta previsão corresponde às necessidades da população alvo, tendo em conta a análise da evolução de mercado nos últimos anos, bem como da realidade dos grupos de risco em Portugal.
A DGS prevê, ainda, a distribuição de 350 mil doses gratuitas para os centros de saúde destinadas às pessoas que estão em lares de idosos que pertencem à Segurança Social, às instituições particulares de solidariedade social com acordo de cooperação com a Segurança Social, às Misericórdias Portuguesas, à Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e a profissionais de saúde do Serviço Nacional de Saúde.
As contra-indicações à vacina são muito raras. No entanto, existem pessoas que não se podem vacinar porque já tiveram, por exemplo, uma reacção alérgica grave à vacina ou por terem uma outra contra-indicação.
«Nestes casos deve ser o médico de família a tomar medidas no sentido de o doente não receber a vacina», adverte a Dr.ª Raquel Guiomar, do Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).
Segundo a especialista do INSA, «dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que a actividade gripal é neste momento baixa. Os vírus que circularam no Hemisfério Sul, onde agora termina o Inverno, foram, sobretudo, influenza do tipo A, H1 pandémico e H3. É previsível que no Hemisfério Norte venham a co-circular vírus da gripe do tipo A, H1 pandémico, H3 e do tipo B».
A doença evolui geralmente de forma benigna, sem que exista a necessidade da implementação de grandes medidas terapêuticas.
No entanto, podem ocorrer complicações e a gripe pode aparecer sob formas mais graves. A gravidade da infecção depende de vários factores, entre os quais a idade e o estado de saúde do doente.
O Dr. Filipe Froes, pneumologista do Hospital Pulido Valente, em Lisboa, desmonta a ideia feita sobre a melhor altura para administrar a vacina. «Ao contrário do que muitas vezes as pessoas pensam, não deve ser feita apenas em Outubro, mas durante todo o Outono e Inverno. Apesar de, em Portugal, o pico gripal se situar habitualmente entre Dezembro e Janeiro, pode haver actividade gripal até Fevereiro e Março, pelo que as pessoas podem ter gripe durante vários meses.»
Faça chuva ou faça sol, a vacinação é a melhor forma de prevenção contra a gripe sazonal!
Gripe não é constipação
Muitos portugueses confundem gripe com constipação, mas é importante perceber que existem diferenças entre as duas doenças. Apesar de ambas serem infecções respiratórias causadas por um vírus, diferem principalmente pela intensidade e duração dos sintomas.
«Do ponto de vista dos sintomas, a constipação é semelhante à gripe. Contudo, quem já teve gripe (pelo menos uma vez na vida) consegue perceber que os sintomas são mais acentuados», adverte Graça Freitas.
Farmácias administram 44% das vacinas contra a gripe
De acordo com o Relatório de Vacinação Antigripal 2010/2011 do INSA, a cobertura da população com vacina antigripal sazonal nos grupos de risco foi de 48,3% nas pessoas com idade igual ou superior a 65 anos e de 28,8% nos portadores de doenças crónicas.
O médico de família foi o principal motor da vacinação e 44% dos utentes escolheram a farmácia para a administração da vacina, o que representa um crescimento de 17% face ao ano anterior.
Ainda segundo o mesmo documento, dos utentes que escolheram as farmácias como local de administração da vacina contra a gripe, 50% foram vacinados nos primeiros 15 dias de Outubro de 2010. A cobertura vacinal atingiu 45% da população com 65 anos ou mais e as farmácias podem ter contribuído entre 6,6 e 10,3% para a concretização deste valor, constituindo um importante contributo em termos de saúde pública.
Sinais de alerta
Febre alta
Debilidade intensa e confusão mental
Dor de cabeça forte com ou sem vómitos
Dor intensa ao engolir, dificuldade em abrir a boca e sensação de volume na garganta
Rouquidão, tosse intensa e dor no peito ou costas
Dificuldade de respiração, falta de ar
Dor forte nas articulações, com ou sem inchaço
Texto: Susana Catarino Mendes