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Artigo de Saúde Pública®

Nº 103 / Outubro de 2011






06 E se estamos a dar cafeína aos nossos filhos, mas não sabemos?
- Prof. José Aparício
Há pais que sabem, mas estão mais preocupados com os hidratos de carbono e a obesidade. Há os que nem têm a mínima ideia. Mas a verdade é esta: diversos alimentos e bebidas, como refrigerantes de colas, chocolates e «ice tea», também têm cafeína. E muitas vezes não é só a quantidade de cafeína como o volume ingerido. Há que alertar os pais para esta situação.


Em casa, na escola, no cinema, no restaurante, nas festas de anos. Várias são as formas, feitios e as ocasiões em que as crianças consomem diversas bebidas, entre as quais o muito publicitado como refrescante, agradável, fresco e saboroso «chá gelado». E os pais? Sabem qual a composição de um «ice tea»?

A verdade é que, como explica o Prof. José Aparício, pediatra do Hospital de Santa Maria, do Porto, até há pais que sabem que estas bebidas têm cafeína, «mas não valorizam a sua quantidade por volume ingerido, estando a preocupação familiar centrada nos hidratos de carbono pelo risco de obesidade. Bebidas como o «ice tea» ou similares, não carbonatadas, são para os progenitores bebidas com
pouca ou nenhuma cafeína, o que é um grave erro».

É mesmo! A prová-lo está um estudo elaborado pelo Laboratório do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge que demonstra que há no mercado «ice tea» com 83 mg/L de cafeína. Mas há pais que condenam desde logo outros refrigerantes pelo gás ou porque os rotularam à nascença de «excitantes», proibindo-os de habitar o frigorífico da casa.

José Aparício estudou os resultados das análises do Laboratório do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge e respondeu a diversas questões, de forma a esclarecer os pais sobre o consumo de cafeína nas crianças. Sem esquecer as regras básicas de uma boa hidratação (líquidos em quantidade e qualidade a ingerir no dia-a-dia), o pediatra deixa um conselho fundamental a todos os pais: fazer um exercício simples para quantificar a cafeína que os seus filhos ingerem, com base no cálculo de que cada dose de chá gelado corresponde a cerca de meio café expresso (não esquecendo de quantificar também os chocolates que as crianças vão comendo).

«Ensinar as crianças sobre as melhores bebidas – para além de água, leite e sumos de fruta natural – dentro e fora de casa, consultar o pediatra quando há dúvidas e ser o modelo dos filhos no ser e no agir», são três ensinamentos que o pediatra nos deixa.

Sobre consumo de cafeína, é simples, se os pais não deixam os filhos beber uma «bica», que façam o exercício de cálculo e controlem a ingestão de outras bebidas com cafeína.





O Prof. José Aparício responde:

Saúde Pública® (SP) – Acha que os pais estão alertados para os perigos do consumo excessivo de cafeína nas crianças?

Prof. José Aparício (JA)
– Os pais não valorizam a cafeína como molécula orgânica capaz de causar danos nos seus filhos. Porque não valorizam a sua presença nas bebidas que lhes facultam, não imaginam os efeitos reais e potenciais que este «estímulo» para o sistema nervoso central causa nos seus filhos. A comunicação social e os agentes da saúde não alertam os pais para as doses de cafeína presentes nas referidas bebidas. Por outro lado, não existem recomendações nacionais, à semelhança do que existe noutros países, quanto a doses máximas a ingerir, por dia de cafeína, por grupo etário pediátrico.

SP– Considera que o aumento dos problemas de hiperactividade e défice de atenção pode estar ligado ao consumo excessivo de cafeína?

JA
– A relação causa efeito deste tipo de bebidas com a doença não está demonstrada. Nalguns casos, há autores que argumentam que o efeito estimulante da cafeína, em doses muito criteriosas, poderia ter algum efeito benéfico, mas estamos a falar de acções terapêuticas por indicação médica.

Mais do que elencar a doença hiperactividade e défice de atenção, penso ser mais importante que pais e educadores não confundam a criança nervosa, irritada, desobediente, com sonos trocados, com insónias ou com perturbação do seu limiar de frustração como tendo alguma patologia do foro comportamental. Na maioria das vezes, trata-se de crianças sob acção estimulante da cafeína que, sem querer, os pais permitem que seja diariamente ingerida, ao pequenoalmoço, no snack da manhã, ao almoço, ao lanche, ao jantar e ao deitar.

SP– Nas análises efectuadas pelo Laboratório do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge, há «ice tea» com valores de 83 mg de cafeína por litro. O que pode significar a ingestão diária de valores deste nível por uma criança? E quais as diferenças de consumo de cafeína por escalões etários?

JA
– Até aos 12 anos, estão recomendadas doses máximas de 2,5 mg/kg/dia de cafeína.

Podemos estimar que dos 4 aos 6 anos não devemos ultrapassar os 45 mg/dia, dos 7 aos 9 anos os 65 mg/dia e dos 10 aos 12 os 85 mg/dia. Para os adolescentes, a dose de 2,5 mg/kg/dia pode ser mantida, desde que não se excedam as doses máximas recomendadas para o adulto, que variam entre 300 e 400 mg/dia. Se imaginarmos que as crianças, por vezes, «matam» a sede com este tipo de bebidas, ingerindo 1 a 2 latas por refeição, estamos a falar de doses que podem chegar aos 150 a 200 mg de cafeína/dia. Se acrescentarmos algum chocolate aos alimentos ingeridos, facilmente se compreenderá os riscos que as nossas crianças estão a correr.

SP – Até que ponto a cafeína presente nas bebidas pode interferir na aprendizagem e no próprio desenvolvimento da criança?

JA
– Sabemos que um estimulante do sistema nervoso central como a cafeína pode exercer efeitos no estado de alerta e concentração e, como tal, perturbar parte do processo de ensino/aprendizagem de uma criança. A perturbação do seu estado de alerta por efeito estimulante central pode perturbar a sua relação e socialização com familiares, pares e educadores, condicionando negativamente o seu desenvolvimento psicomotor.

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