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Artigo de Medicina e Saúde®

Nº 130 / Agosto de 2008






08 ENTREVISTA
Margarida Rebelo Pinto, escritora: «Nunca imaginei que um dia teria um AVC»
O acidente vascular cerebral (AVC) ataca, em Portugal, três pessoas por hora, 54 por dia, 1620 por mês e cerca de 20 mil por ano. De acordo com um estudo da Fundação Portuguesa de Cardiologia, divulgado no ano passado, 13 em cada 100 homens e oito em cada 100 mulheres, com 54 e mais anos, terão um problema destes nos próximos 10 anos.
Mas a doença pode manifestar-se mais cedo. Foi o que aconteceu à escritora Margarida Rebelo Pinto. Inesperado, mas sem sequelas maiores, o caso não deixou de alterar o seu ritmo de vida: «Passei a fazer tudo mais devagar.»



Medicina & Saúde® – Sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). De que tipo?
Margarida Rebelo Pinto – Sim, no dia 09 de Maio de 2007 sofri um AVC isquémico do território vertebrobasilar. Foi tudo muito inesperado e repentino. Estava em casa, de manhã, e a seguir ao pequeno-almoço, quando lavava as mãos, comecei a sentir tonturas e dificuldade em equilibrar-me, a que se seguiram fortes dores de cabeça, vómitos violentos e falta de coordenação motora no ombro e braço direitos.

M&S® – Alguma vez foi alertada para a identificação de factores genéticos de risco?
MRP – Nunca. Nunca tinha sequer pensado no assunto. Na minha família há um historial de patologias cardíacas, mas ninguém me alertou para a possibilidade dessas poderem ter origem genética. Também nunca me considerei uma pessoa em risco. Quando era miúda, foi-me identificado um sopro que depois, aparentemente, desapareceu. Além disso, cuido-me muito… a ponto de não conhecer ninguém com um estilo de vida tão saudável como o meu – durmo oito a nove horas por noite, nunca fumei, não bebo álcool, faço desporto com regularidade e uma dieta muito equilibrada. Até acontecer o AVC, sentia-me muitas vezes cansada sem explicação aparente, sobretudo durante a gravidez.

M&S® – Mas não lhe falta genica…
MRP – Sou uma pessoa cheia de energia, do género de não conseguir estar quieta… Por isso, nunca imaginei que um dia teria um AVC. Afinal, não tinha nada a ver com o meu estilo de vida, não podia ter! O que eu tinha era uma comunicação interauricular (CIA) do tipo ostium secundum. Três semanas depois do AVC, fui operada no Hospital de Santa Marta, realizei um cateterismo com oclusão do CIA e fiquei curada.

M&S® – Portanto, não sabia que o AVC é a doença neurológica que melhor se pode prevenir?
MRP – Não, não conhecia nada da doença até ser «apanhada» por ela. Não conhecia, logo, não pensava em prevenir-me. Mas se eu tivesse pro­curado antes informação sobre a doença, na altura do ataque, consideraria, certamente, que se trataria de um AVC.

M&S® – Depois dos sintomas, o que é que aconteceu?
MRP – Não percebi o que estava a passar-se, mas com a descoordenação motora pensei que só podia ser um problema do foro neurológico. Tentei adormecer, o que ainda foi pior porque, ao tentar descansar, dei por mim em «dissociação», a pairar sobre o meu próprio corpo. Foi então que me apercebi que o que se passava era mesmo grave e chamei uma pessoa da minha família, que é neurologista, a Prof.ª Teresa Santos Paiva, a minha mãe e, a seguir, o 112. Duas horas depois, estava no Hospital de Santa Maria a ser assistida.

M&S® – Tinha 41 anos. Surpreen­deu-a?… Persiste o mito de que as doenças cardíacas e vasculares afectam, sobretudo, os homens e em idades avançadas…
MRP – Claro que me surpreendeu… até porque sinto-me muito nova. Nem sequer penso que tenho mais de 40 anos. É como se tivesse 30. Os meus amigos ficaram tão surpreendidos que pensaram que não era eu, que era o meu pai ou a minha mãe.

M&S® – Sentiu medo? Ainda sente?
MRP – Não. Nunca senti medo. Senti vontade de viver… Nem me passou pela cabeça, em nenhum momento, que podia morrer. As presenças da minha mãe e da Teresa Santos Paiva foram providenciais. Quando se entra numa ambulância, quase a perder os sentidos, o barulho, a posição horizontal, como se o mundo estivesse ao contrário, é tudo muito confuso e um bocado assustador. Acho que tive muita sorte e fui assistida tão rapidamente quanto possível. Se estivesse a passar férias numa ilha das Caraíbas, provavelmente não teria tanta sorte. Um mês depois tive um ataque de pânico, mas aconteceu-me só uma vez.

M&S® – Tem consciência de que Portugal continua na cauda da Europa, no tocante ao número de mortos por AVC?
MRP – Sim, ultimamente tenho lido dados sobre Portugal, no que respeita a este problema, e é assustador saber que, embora a incidência da doença vascular cerebral tenha vindo a diminuir desde há 30 anos, e se tenham registado na última década progressos assinaláveis, em relação às doenças cerebrovasculares, estas continuam a colocar o País nos derradeiros lugares da Europa.

M&S® – Foi um acidente inesperado, sem sequelas maiores… Que obrigações lhe foram prescritas? Tem cumprido?
MRP – Tomo diariamente uma aspirina de mil miligramas e demorei dois meses a poder voltar a fazer desporto. O meu ritmo mudou, pois passei a fazer tudo mais devagar. Tem de ser, é preciso ter calma.

M&S® – Quer dizer que a sua vida mudou… O seu trabalho a­cusa diferenças?
MRP – Claro que mudou. Passei a ser mais feliz do que já era, porque tive mesmo muita sorte. Fiquei sem nenhumas sequelas. Dois dias depois já conseguia andar. Durante os cinco dias em que estive internada, morreram duas pessoas no meu piso. E três meses depois, quando fui à consulta, vi uma rapariga mais nova do que eu ainda com sinais de descoordenação motora. Esta sorte extraordinária que eu tive faz com que não me irrite com pequenos problemas.

M&S® – Coisas que não eram importantes passam a ser e vice-versa?
MRP – Claro que sim. Já ninguém consegue chatear-me. Passei a valorizar mais tudo o que não é material. Risquei falsos amigos da minha lista sem dó nem piedade. Se as pessoas não estão lá, quando estamos a morrer, então é porque não estão a fazer nada na nossa vida, não é? Penso todos os dias na minha saúde e na saúde daqueles que me são mais queridos. Todos os dias, sem excepção.

M&S® – Sente que agora cada dia vivido é um dia ganho?
MRP – Sinto que vou viver muitos anos, mas que cada dia é um dia cheio de coisas boas.

M&S® – Quer deixar alguma mensagem às pessoas que vão ler esta entrevista?
MRP – Que nunca negligenciem os sintomas de um AVC, como a diminuição da força do membro superior de um lado, o desvio da parte inferior da face e a dificuldade em dizer as palavras certas, ou nem as conseguir dizer, ao pretender falar, entre outros. Mas, antes de tudo, vale a pena conhecer os factores de risco. A doença pode prevenir-se e tem tratamento.



Texto: F. Castro
Fotos: Ricardo Gaudêncio



Comentários

Maria José às 12:04 27-09-2009 :

Ao pesquisar sobre o Dia Mundial do Coração e sobre AVC`s e afins acabei por vir aqui parar.
Tal como a pessoa que escreveu antes, também não fazia ideia de que a Margarida R. Pinto tivesse tido um AVC, mas não foi algo que me tivesse surpreendido muito. Digo isto porque tenho um familiar muito próximo que tem 43 anos e há uns meses atrás teve também um AVC, infelizmente com consequências menos «animadoras».
Só quero deixar o testemunho de que, com muito amor e persistência, é possível mover montanhas.
E não se esqueçam de abraçar os vossos familiares todos os dias... com muita força!
Bjs

Francisco Sampaio às 21:44 16-09-2009 :

É de facto um testemunho impressionante.
Não fazia ideia de que a Margarida R. Pinto tivesse tido um avc e até costumo ler alguns dos seus livros e artigos.
Obrigado pela divulgação! Obrigado à Margarida! 41 anos... e sem beber, fazer desporto, etc.
Estes exemplos valem mais do que muitas campanhas.Só lamento que não sejam mais divulgados

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