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Artigo de Medicina e Saúde®

Nº 119 / Setembro de 2007






30 Cancro digestivo é problema de saúde pública
Entrevista com Dr. Sérgio Barroso, secretário-geral do Grupo Português de Investigação do Cancro Digestivo (GPICD)
O Grupo Português de Investigação do Cancro Digestivo (GPICD) prepara a organizção do dia nacional que lembra a existência desta doença, assinalado a 30 de Setembro.


O cancro digestivo é, no seu conjunto, a primeira causa de mortalidade por cancro. O cancro do cólon, por ser o mais frequente em Portugal, com mais de cinco mil novos casos anuais, vai ter particular destaque.

Esta doença é ligeiramente mais frequente no homem e leva mesmo o Dr. Sérgio Barroso, secretário-geral do Grupo Português de Investigação do Cancro Digestivo (GPICD), a considerar este tumor como «um problema grave de saúde pública. A mensagem para o próximo Dia Nacional do Cancro Digestivo passa por alertar a população em geral para o número muito elevado de novos casos no País, muitos deles em estádios já avançados e sensibilizar para a responsabilidade individual como forma de aumentar a eficácia na luta contra esta doença».

Muitos dos factores que levam ao aparecimento do cancro digestivo têm a ver com factores alimentares. Disso são exemplos cabais os exageros cometidos no consumo de carnes, de gorduras e numa dieta pobre em vegetais e legumes frescos, aliados à ausência de exercício físico. Há ainda a registar, de acordo com Sérgio Barroso, «as questões hereditárias e a influência negativa de algumas patologias, como a doença inflamatória do intestino, que predispõem para o aparecimento de tumores malignos».

Este especialista aborda outro tema, que julga fundamental no combate ao cancro digestivo: o nível de consciencialização e informação da população portuguesa. «As pessoas estão a despertar para a necessidade de prevenirem os problemas de saúde e de diagnosticá-los numa fase muito precoce», para o que tem contribuído a maior divulgação e informação sobre a doença.

Muito por fazer para mexer nas consciências

Contudo, este oncologista sustenta que «ainda há muito trabalho a fazer no sentido da consciencialização para este problema de saúde». Sérgio Barroso destaca o baixo grau de consciência dos indivíduos, em relação à dimensão que esta doença maligna atinge.

«Depende da atitude de cada um, mas também das autoridades de saúde, assim como dos profissionais envolvidos, e das associações de doentes, que devem promover a acção educativa. Prestar informação, incentivar comportamentos de vida mais saudáveis e fomentar consultas regulares no médico assistente de modo a que no início do aparecimento dos sintomas haja uma actuação rápida.» Estas são algumas das formas de melhorar o controlo desta doença

O diagnóstico precoce assume também particular importância. O rastreio do cancro do cólon, uma forma de diagnosticar a doença em pessoas assintomáticas, é fundamental para reduzir a mortalidade por esta doença. «Muitas vezes», afirma Sérgio Barroso, «encontramos lesões ou alterações benignas (pólipos) do intestino que, se evoluírem normalmente, passados meses ou anos podem transformar-se em tumores malignos. Essa é a altura certa para tratar, evitando assim o aparecimento da doença».

O rastreio deve realizar-se em indivíduos que têm 50 ou mais anos de idade, sem quaisquer factores de risco. Os testes assentam basicamente na pesquisa de sangue oculto nas fezes, na sigmoidoscopia flexível ou na colonoscopia total. «São as alternativas que temos, quer utilizando estas técnicas em separado, quer em conjunção. Assim podemos detectar tumores que não seriam detectáveis de outra maneira.»

O cancro gástrico ou do estômago é, no âmbito dos tumores digestivos, o segundo mais frequente, com cerca de 2500 casos por ano. Explica o médico que «muitos dos factores que contribuem para o seu desenvolvimento são, em certa medida, semelhantes ao cancro do cólon. Depois, há outros factores diferentes. Em termos de rastreio, ainda não está definida uma estratégia que se revele reconhecidamente eficaz. É uma matéria que ainda está em discussão», salienta.

Que alimentos podem ser prejudiciais?

Alguns dos alimentos que foram relacionados com o aparecimento do cancro gástrico são as antigas conservas em sal, assim como os alimentos conservados em fumo, sendo paradigma dessa realidade os enchidos. Sérgio Barroso refere, a este respeito, que existem «várias substâncias presentes naqueles alimentos que já foram identificadas e relacionadas com o aparecimento destes tumores».

Este médico prossegue, salientando que «hoje em dia há aditivos que são relativamente frequentes na nossa alimentação e sob os quais pendem igualmente algumas suspeitas de que podem contribuir para o aparecimento destas doenças, embora esse relacionamento não tenha sido ainda demonstrado. Por enquanto, ainda não sabemos qual o efeito concreto dessas substâncias no cancro gástrico quando consumidas em quantidades elevadas».

Se o consumo de enchidos for em grande quantidade, «pode haver uma probabilidade aumentada de esses indivíduos, com tais comportamentos alimentares, virem a desenvolver tumores para os quais essas substâncias que existem no fumo podem contribuir», sublinha o oncologista.

O fumo, que era utilizado para conservar os antigos enchidos, tem substâncias semelhantes ao que é libertado pelo tabaco. «E essas, nós sabemos que têm potencial cancerígeno, tanto mais quando consumidas em grandes doses durante muitos anos», afirma Sérgio Barroso.

Uma mensagem frequente nos cardiologistas chama a atenção para os malefícios do excesso de sal na confecção das refeições. Este oncologista reitera esta ideia sublinhando que o sal em demasia «é um factor que está associado a várias doenças e às alterações das células do estômago».

Doença de Crohn pode ter relação com cancro digestivo

A doença de Crohn e a colite ulcerosa têm influência no surgimento do cancro do cólon, a par da doença inflamatória do intestino. Esse fenómeno deve-se, segundo Sérgio Barroso, «à condição de inflamação crónica do intestino, que predispõe a que as células daquele órgão sejam mais susceptíveis a alterações, após anos de doença, levando ao desenvolvimento de um tumor».

Para quem sofre destes tipos de doen­ça, é aconselhável uma vigilância particularmente apertada, com cuidados redobrados, «por comparação à restante população», assinala Sérgio Barroso.


Texto: David Carvalho
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