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Artigo de Medicina e Saúde®

Nº 116 / Junho de 2007






40 Endocrinologia - Controlo dos factores de risco nos diabéticos (Estudo TEDDI)
O primeiro estudo a traçar um retrato do País, no que toca ao estado de saúde dos diabéticos seguidos em consultas especializadas, mostra que, para ter estes doentes controlados, basta usar de modo mais eficiente os recursos tera­pêuticos que já existem.


Para saber até que ponto os diabéticos (tipos 1 e 2) seguidos em consultas especializadas estão controlados, a Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD) e o Instituto de Higiene e Medicina Social (IHMS), da Faculdade de Medicina de Coimbra, com o apoio da sanofi-aventis, levaram a cabo o estudo TEDDI (Terapêuticas Efectuadas em Doentes Diabéticos).

Os resultados mostram que há uma elevada prevalência de factores de risco cardiovascular nesta população, tal como uma forte associação entre estes diversos factores, ao mesmo tempo que o seu controlo «é muito inferior ao desejável», refere o Dr. Luís Gardete Correia, presidente da SPD.

Assim, foi identificada uma maior incidência destes factores no grupo dos diabéticos tipo 2: mais de 80% dos inquiridos tinha factores de risco associados, contra os 19% no grupo dos diabéticos tipo 1.

Mas que factores são estes? Verificou-se que 62,5% do total da amostra tinham hipertensão arterial; 51% hipercolesterolemia; 47,3% níveis elevados de colesterol LDL («mau»); 40% níveis baixos de colesterol HDL («bom»).
No que toca à associação de factores de risco, verificou-se que 33,4% apresentavam, associados à diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado e aumento do perímetro abdominal (risco elevado, segundo a OMS). No entanto, «só 48% destes indivíduos tomam antiagregantes, tal como recomendado pelas guidelines para os doentes de alto risco», diz Gardete Correia.

Aliás, muitos destes doentes já tinham um histórico preocupante de patologias: 7,9% tinham sofrido um AVC; 7,6% um enfarte; 8,4% angina de peito; 11,2% doença arterial periférica e 3,4% reportaram uma crise de hipoglicemia grave, que obrigou a, pelo menos, uma ida às urgências no último mês.

Quanto ao que os inquiridos achavam sobre o próprio estado de saúde, «foram identificados uns significativos 12% que classificam como deficiente o seu estado de saúde», diz Gardete Correia. O estudo mostrou que 21,2% do total dos indivíduos tinham uma retinopatia de qualquer grau.

Contudo, frisa o especialista, «percebemos que 50,5% dos inquiridos praticam regularmente algum tipo de actividade física», sendo os diabéticos tipo 1 que mais contribuem para esta estatística (62%). Outra constatação foi a quantidade de não fumadores encontrados: 64% no tipo 1 e 76% no tipo 2. No total, foram incluídos neste estudo 1775 pessoas, das quais 52,5% são do sexo feminino.

Que ilações tirar?

O Prof. Massano Cardoso, do IHMS, considera «preocupante e totalmente inesperada» a taxa de crises graves de hipoglicemias, de 3,4% no total (2,3% no tipo 2 e 7,5% no tipo 1). O especialista destaca ainda os valores encontrados no que toca à HbA1c, também elevados: apenas 20,4% dos indivíduos apresentavam valores de HbA1c inferiores a 6,5%, enquanto 9,4% tinham os níveis acima dos 10%.

Na opinião de Massano Cardoso, na medida em que «o perfil terapêutico está aquém de um controlo mais eficiente dos diversos factores de risco, há um potencial muito grande na prevenção de efeitos secundários resultantes de uma diabetes não controlada».

O especialista prossegue, explicando que «para ter estes doentes controlados só é preciso investir mais um pouco naquilo que já está a ser feito. Esta é uma amostra representativa, pelo que um pequeno desvio, uma redução nos valores de glicemia e de HbA1c (hemoglobina glicosilada), é o suficiente para se ter efeitos positivos muito significativos no controlo desta população».

Aliás, defende o especialista, «não se pode desperdiçar o potencial para o controlo da diabetes», na medida em que em Portugal dispomos de meios importantes que, devidamente utilizados, tanto pela classe médica como pela população-alvo, «de certeza que vão resultar numa redução das complicações da diabetes».

Uma diabetes mal controlada é, em si, um factor de risco para o desenvolvimento de uma série de patologias, entre elas o enfarte do miocárdio ou acidentes vasculares cerebrais. Quando somada a outros factores de risco, como a hipertensão arterial ou colesterol elevado, o risco de ocorrência de complicações decorrentes desta combinação aumenta.

Reduzindo as complicações, vai alcançar-se um conjunto de efeitos positivos, «capaz de baixar os gastos do Serviço Nacional de Saúde com estas situações e de aumentar a qualidade de vida dos doentes», continua Massano Cardoso, acrescentando:
«Os responsáveis devem debruçar-se sobre estes dados para tornar mais eficientes os meios de que dispomos em Portugal. Também os políticos têm de olhar para estes dados e ver como podem ajudar.»


Perímetro abdominal aumenta risco cardiovascular

Perto de 75% de todos os inquiridos apresentavam excesso de peso ou obesidade. Os resultados do TEDDI mostram que 89,5% das mulheres e 67,4% dos homens estão em risco elevado no que toca às dimensões do seu perímetro abdominal. Em risco muito elevado estavam 67,4% das mulheres e 40,3% dos homens (cintura acima de 88 cm nas mulheres e de 102 cm nos homens).

Quando se comparam perímetros abdominais médios entre os dois grupos, diabéticos tipo 1 e tipo 2, percebe-se que os valores são superiores nos diabéticos tipo 2, com uma média de 100,8 cm, em comparação com os 86,7 cm dos diabéticos tipo 1.


SPD dá prémio de excelência

No âmbito da Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD), foi entregue o primeiro «Prémio sanofi-aventis/Sociedade Portuguesa de Diabetologia» ao Prof. Pedro Eurico Lisboa, sócio-fundador e ex-presidente da SPD.

Para o Dr. Luís Gardete Correia, actual presidente da SPD, «este galardão anual é muito importante e inovador, na medida em que visa distinguir publicamente personalidades que se tenham evidenciado ao nível da abordagem clínica e controlo da diabetes».

Do percurso académico de Pedro Eurico Lisboa destaca-se a criação de cursos de prática clínica de diabetes para os alunos do 5.º e 6.º anos de Medicina. Na vertente profissional, é também meritório o seu trabalho na educação do doente diabético, com um esquema de aulas feito à medida de cada paciente e realizado antes e durante a consulta de diabetes, que ele próprio criou em 1963, no Hospital de Santa Maria, por onde passaram milhares de doentes e onde se formaram muitos dos técnicos que hoje têm responsabilidades nesta área.


Texto: Rosalina Grilo
Fotos: Ricardo Gaudêncio

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