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Artigo de Medicina e Saúde®

Nº 103 / Maio de 2006






30 Opinião: Bebés ao dentista
- Dr. Carlos Adriano
- Dr.ª Joana Silva Carvalho


Bebés ao dentista – verdades e mentiras


Ou seja, ainda durante a gravidez, deve-se prevenir os pais sobre a importância da alimentação e higiene oral, já que as ultimas investigações demonstram que é logo no 1.º ano que hábitos desadequados influenciam a saúde oral da criança, e podem ter repercussões nefastas em adulto.

Conselhos pré-natais são essenciais, prevenindo não utilizar biberão para adormecer ou chupetas com mel, por aumentar o risco de cárie, retirar a chupeta após o 1.º ano por risco de «mordida aberta», ou outras dismorfias, como pró-alveolia por sucção do polegar...

Suplementos de flúor, actualmente não são preconizados pela Direcção-Geral de Saúde, exceptuando em situa­ções de risco. Todavia, a investigação nacional aponta que só 30% das crianças é que escovam os dentes!

Pode estranhar, mas a primeira consulta ao seu bebé deverá ser dos 6 aos 12 meses, e não aos 4 anos como era referido.

Cerca dos 6 meses, nascem os primeiros dentes decíduos
ou «dentes de leite», mas, mesmo antes, pais informados saberiam que devem limpar a mucosa gengival com uma gaze humedecida após a alimentação.

A 1.ª visita estabelece uma relação amigável e deve ser encarada tal como uma ida à «avó» ou ao «jardim»; algo agradável, lúdico!

Mas, atenção, não se deve exagerar a «brincadeira». Em idades posteriores o bebé, apesar de nos ver como «amigo que cuida dos dentes bonitos», deve ter a noção de autoridade e acatar os procedimentos terapêuticos.

Algumas experiências com profissionais mascarados de figuras «disneynianas», arquitectura interior «circense» ou música ambiente «batatoonesca», podem resultar mal, originando um ambiente de grande excitação, mas cada caso é um caso!

Temos de nos adaptar a uma consulta de um bebé com 1 ano, e o médico dentista deve ter preparação adequada e vocação para a Odontopediatria.

A Odontopediatria é uma área da Medicina Dentária e Estomatologia que abarca a Saúde Oral dos bebés, crianças e adolescentes, com o objectivo de se obter na idade adulta uma boca saudável, funcional e estética.

O bebé não é um «adulto em miniatura», tem características próprias do foro pediátrico.
Não fique preocupado se o seu bebé chorar ou espernear na consulta.

É normal, nesta fase de pouco entendimento a criança não cooperar, e o segredo é nunca zangar ou criar receios em relação ao médico ou ambiente.

Apesar dos pais estranharem, ao contrário das outras especialidades, recomenda-se que só devem estar presentes até aos 3 anos, permanecendo na sala de espera dando alguma autonomia à criança.

É comum, os pais mostrarem os seus medos e ansiedades fazendo comentários menos próprios como «arrancaram-me um dente!», «O Dr. dá-te uma pica!», «a desvitalização doeu-me tanto!», infelizmente por experiências com profissionais menos competentes!

É lógico que decisões terapêuticas importantes, devem ser apresentadas e discutidas com os pais, de preferência na ausência da criança, e nunca aceitar querelas financeiras, por exemplo entre pais divorciados no consultório!

Se presentes, os pais só devem falar com a criança quando solicitado pelo médico, e terem atenção às perguntas que fazem.

As crianças são atentas, inteligentes e astutas, não deve enganá-las, porque podem perder a confiança. Atenção às chantagens porque passa a negociar com ela!

Por vezes os pais estranham serem «ignorados», e os profissionais centrarem a atenção no «seu bebé», o que é correcto.

Ao contrário do que alguns pais pensam, os «dentes de leite» são para serem tratados e mantidos até à data próxima da esfoliação que pode ir até aos 11 a 12 anos, no sentido de manterem uma correcta mastigação, fonação, de manutenção de espaço, e estética, que influencia o desenvolvimento ósseo, respiração, deglutição e orientação da erupção dos definitivos.

Em caso de traumatismo recorra de imediato ao médico dentista e havendo avulsão (queda do dente) ou fractura da coroa, deve transportar a peça dentária em soro fisiológico ou em leite. Numa criança colaborante pode transportar dentro da boca, mas há risco de engolir!

Tem de incentivar, brincar e não deixar a higiene oral nas «mãos e cabeça» da criança, porque não é ela que sabe o que é correcto, e além disso não têm destreza, nem habilidade para esses actos.

As rotinas de higiene com escova pediátrica, e de fio
dentário devem ser cumpridas, mesmo que ache aborrecido. Os Pais devem escovar desde o 1º dente, e a partir dos 3 anos supervisionar a escovagem, e não se desculpe dizendo: «é preguiçoso!».

Há métodos para prevenção da cárie como os selantes, uma espécie de «verniz» aplicado nos sulcos dentários, e mais recentemente está em estudo uma Vacina contra a cárie, descoberta por uma equipa de investigação Portuguesa!

Em casos graves, impossibilidade de colaboração, crianças deficientes mentais, existem técnicas de sedação consciente e em último recurso anestesia geral.

Mas, atenção: a saúde oral do «vosso bebé» é um trabalho
de equipa envolvendo: criança, pais, pediatra, clínico geral, higienista oral e principalmente médico dentista em clínica credenciada!


Flúor, sim ou não?

Existe polémica em relação à administração de flúor sistémico (via oral). A Direcção-Geral de Saúde já não preconiza o uso de flúor sistémico, apenas administrações tópicas em consultório (moldeira).

A água abastecida em Portugal contém o flúor necessário, podendo a administração sistémica, originar fluo­rose e intoxicações graves.

Pastas dentífricas pediátricas e junio­res têm concentrações de flúor infe­riores à dos adultos. Todavia, supervisione para não haver deglutição em excesso. A quantidade na escova deve ser igual ao tamanho da unha do 5.º dedo da mão, assim, mesmo engolida não será prejudicial.


Higiene odontopediátrica:

Não estranhe, mesmo sem dentes higienize a mucosa gengival do bebé com uma gaze limpa, após as refeições. Massajar a mucosa facilita a erupção dentária, iniciando-se aos 6 meses e termina aos 4 anos.

Desde o 1.º dente aos 3 anos, os pais devem escovar, e depois controlar.

Aos 6 anos começam a nascer os dentes definitivos
A partir dos 7-8 anos o desenvolvimento psicomotor permite independência na escovagem, mas supervisione!


Cárie rampante e de biberão

Não confunda com hiperpigmentação dentária por fungos e bactérias cromogénicas, que por competição com o Streptococos Mutans, principal responsável pela cárie, paradoxalmente até defendem da cárie! Mas por má aparência estética, a hiperpigmentação pode afectar psicologicamente a criança.

A cárie rampante consiste numa destruição generalizada dos dentes temporários, que ficam com os cotos remanescentes negros. Quando ocorre só nos anteriores é associada ao uso de biberão ou chupetas com mel ou açúcar.


Vacina contra a cárie

Uma equipa de investigadores portugueses do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar foi recentemente galardoada pelo estudo e teste com sucesso de uma vacina contra a cárie dentária em ratos, nomeadamente, contra o Streptococos Mutams e Sobrinius. A aplicabilidade humana ainda não está aprovada.


Verdades e mentiras

Chupetas com cordões são perigosas. Verdade, podem asfixiar a criança.

Escovas de cerdas rijas são melhores. Mentira, podem lesar a mucosa e desgastar o esmalte.
Hiperpigmentação é contagiosa. Verdade, a sua origem é infecciosa.

As escovas da família podem partilhar o copo. Mentira,
aumenta o risco de contágio por contaminação entre elas.
Refrigerantes aumentam o risco de cárie. Verdade, a acidez, por baixo PH, e açúcar facilitam a desmineralização do esmalte e desagregação da dentina.

Branqueamento externo químico não faz mal. Mentira, manobra publicitária nos adolescentes, nomeadamente, o do tipo com «luzes intensificadoras» e «lasers». Deve-se aguardar a total maturação amelodentinária.


- Dr. Carlos Adriano
Médico Dentista FMDUL e Médico de Clínica Geral FMUL
- Dr.ª Joana Silva Carvalho
Médica Dentista ISCSS
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