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Artigo de Mundo Farmacêutico®

Nº 53 / Julho e Agosto de 2011






22 Cuidar dos 20 para chegar aos 120 anos
- Prof. Doutor Fernando Pádua
A identificação dos factores de risco cardiovascular de cada indivíduo não foi sempre uma evidência. E, para a melhoria dos já doentes, grande tem vindo a ser o contributo da Indústria Farmacêutica, com a criação e o lançamento de medicamentos que permitem aos doentes recuperar de grande parte das patologias, até mesmo no caso das doenças neoplásicas. Um dos maiores progressos na Saúde é o facto da taxa de mortalidade infantil ter vindo a diminuir também progressivamente.

As companhias de seguros revelaram-se, nas primeiras décadas do século XX, pioneiras na área da prevenção porque, ao olhar para as estatísticas dos seus clientes, verificaram que as pessoas com tensão alta morriam mais cedo, assim como os diabéticos e os indivíduos com excesso de peso ou os fumadores, deveriam pagar prémios mais altos pelo seguro, etc., pois corriam maiores riscos de doença ou morte. Foi a partir daí que os médicos perfilharam o termo «factores de risco» nas populações!

Identificadas que estavam as causas e os riscos, começou-se a reflectir sobre a necessidade de evitar (prevenir) as consequências, em vez de só tratar as doenças. Posteriormente, com a melhoria social do pós-Guerra Mundial 1939-1945, começaram a surgir mais complicações, como excessos alimentares, aumento de peso, diabetes, agravamento da hipertensão; na sequência de mais dinheiro, menos actividade, mais comida, tabaco e álcool.

As patologias cardiovasculares foram ganhando terreno, embora se pensasse serem doenças dos gestores (manager diseases), isto é, das pessoas ricas que comiam «muito bem» e assumiam, ao mesmo tempo, mais responsabilidades.


É esta a ideia principal: muito antes de tratar as patologias, tantas vezes silenciosas durante décadas, promover a Saúde, sim, e melhorar a qualidade de vida.


Depois dos anos 70, em que mostramos ao País, através da TV, o perigo que a hipertensão representa, o Governo acabou por compreender, em 1987, que o problema cardiovascular era tão importante que era essencial criar um Instituto de Cardiologia Preventiva. Já em 1972, tínhamos iniciado o combate público contra a hipertensão, o colesterol e o tabaco, que apelidámos de «os três assassinos da população portuguesa».

Os resultados foram mais do que excelentes. Em vez de convencer cada médico a tratar os doentes desta ou daquela forma, encorajámos as próprias pessoas a ir à farmácia para medir a tensão e, se ela estivesse alta, a ir ao médico e a deixar de fumar, a começar a olhar para o seu peso e a andar a pé. Em 10 anos, houve uma redução de mais de 30% dos casos de AVC (e também de enfarte do miocárdio), um valor que já teve uma redução até aos 60%, dado o aparecimento de cada vez mais tratamentos para a hipertensão (e avanços da Medicina e da Cirurgia adequadas a todas as doenças do coração), fazendo-se acompanhar pela dieta e exercício, e até à chegada das estatinas para o colesterol. As formas de vencer o vício do tabaco alteraram-se, por meio de medicamentos e da aplicação das disposições legais sobre o fumo passivo; também na alimentação, o sal sofreu uma redução, que hoje está devidamente legislada no caso do pão.

Neste V Curso de Formação de Mediadores para Educação na Saúde em Factores de Risco Cardiovascular, mostrei aos vários especialistas presentes (farmácias, assistentes sociais, jornalistas, etc.) a «bandeira» da nossa actual fundação (Fundação Professor Fernando de Pádua), isto é, um mapa que reflecte a relação entre os riscos e as doenças. O importante é que, além de tratar as doenças, se voltem para a Saúde. E é esta a ideia principal: muito antes de tratar as patologias, tantas vezes silenciosas durante décadas, promover a Saúde, sim, e melhorar a qualidade de vida.

Queremos que todos aprendam a viver de forma saudável, não fumem, controlem o peso e as gorduras, façam exercício físico diário e evitem a subida da tensão. Esta necessidade de promover a Saúde, que começou por ser prevenção cardiovascular, é igualmente eficaz na redução dos casos de cancro, diabetes, obesidade e demais doenças made-by-man, de um modo geral. Então, nesta última fase em que estamos (mais voltada para a promoção da Saúde), temos de combater os ditos factores de risco numa fase tão precoce em que a pessoa ainda não esteja doente e «já» esteja a pretender ter uma vida saudável – isto é o que queremos para os sub-20 (dos zero aos dezanove anos de idade).

Antigamente, a própria ausência de exercício físico não era olhada como um factor de risco de doença. Contudo, além de permitir um maior controlo sobre a dieta, aufere ainda uma melhoria dos outros factores, tornando-se no mais importante de todos: 30-40% de pessoas têm colesterol elevado; 40% terão hipertensão; quase 20% sofrem de diabetes; 80-90% das pessoas são sedentárias e utilizam excessivamente transportes.


A Cultura de Saúde a começar nos sub-20 é a nossa última campanha: 80% das doenças que estamos a tratar nos hospitais são evitáveis. Queremos actuar mais cedo e preparar pessoas saudáveis, tratando os sub-20 para atingir os 120 com saúde, vivos, activos e saudáveis – Alegro Vivace!


Todos devem conquistar a Saúde como um valor, vencendo a «simples» ausência de doenças, através de uma melhoria na dieta, evitando todos os excessos e aprendendo a lidar com o stress.

Insisto em reafirmar que muitas das doenças que tratamos começam na infância. A aterosclerose, por exemplo, não começa quando nós, adultos, começamos a fumar, temos excesso de peso ou deixamos de fazer exercício. As patologias surgem ainda em criança, quando a mãe da criança (ou o pai) fumam, ou bebem (o feto pode vir a ter malformações congénitas). Depois de a criança nascer, a mãe percebe que esta não gosta de uma sopinha e coloca-lhe mais sal na comida, começando desde cedo a habituá-la a este condimento e a fabricar um futuro hipertenso. Uma criança que nasce gorda tende a sê-lo sempre e os pais são os primeiros a facilitar isso.

O último enfoque dirige-se, pois, aos sub-20: eles merecem a nossa melhor atenção. Tratar destes miúdos não é convencê-los a não fumar ou proibi-los de comer ou beber, mas explicar-lhes, falar com eles, ouvi-los e educá-los para a Saúde. A Cultura de Saúde a começar nos sub-20 é a nossa última campanha: 80% das doenças que estamos a tratar nos hospitais são evitáveis. Queremos actuar mais cedo e preparar pessoas saudáveis, tratando os sub-20 para atingir os 120 com saúde, vivos, activos e saudáveis – Alegro Vivace!


- Prof. Doutor Fernando Pádua
Presidente da Direcção do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva
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